A polifarmácia na terceira idade exige monitoramento contínuo: o fim do excesso de remédios não termina na alta hospitalar. (imagem: fizkes / Adobe Stock)
American Medical Association: Como Evitar o Retorno à Polifarmácia Após a Alta Hospitalar
A polifarmácia — o uso simultâneo de múltiplos medicamentos — é um problema frequente entre idosos hospitalizados. Para combater os riscos associados ao excesso de remédios, médicos frequentemente adotam a "desprescrição", uma prática que consiste em suspender ou reduzir as doses de medicamentos que não são mais necessários ou cujos riscos superam os benefícios.
Embora essa intervenção seja comprovadamente segura e eficaz no ambiente hospitalar, pouco se sabe sobre a sua durabilidade. Afinal, os pacientes continuam sem tomar esses medicamentos após voltarem para casa?
Um estudo de coorte publicado o periódico JAMA Network Open, da American Medical Association, analisou dados de dois ensaios clínicos randomizados para responder a essa pergunta, acompanhando 598 participantes com 50 anos ou mais que foram transferidos do hospital para instalações de enfermagem qualificada (SNFs) para cuidados pós-agudos.
O Que os Dados Revelam Sobre o Reinício de Medicamentos
Os pesquisadores acompanharam os idosos durante a estadia na clínica de reabilitação e até 90 dias após a alta para casa. Os resultados mostraram um cenário de copo meio cheio e meio vazio:
- Taxa de Sucesso: A boa notícia é que a grande maioria das desprescrições foi mantida. Cerca de 84% de todos os medicamentos suspensos permaneceram descontinuados ao final dos 90 dias.
- A Frequência dos Reinícios: Por outro lado, 69,7% dos participantes voltaram a tomar pelo menos um dos medicamentos que haviam sido retirados. No total, 15,9% dos medicamentos desprescritos foram reiniciados durante o período de acompanhamento.
- O Momento Crítico: Quase metade (48,5%) dos reinícios ocorreu justamente no período entre 7 e 90 dias após a alta da clínica de reabilitação, destacando a transição para casa como um momento de alta vulnerabilidade.
- Classes Mais Comuns: Os medicamentos mais frequentemente reiniciados foram os analgésicos não opioides, os anti-hipertensivos e os medicamentos para diabetes.
Fatores de Risco e Consequências
O estudo identificou fatores claros que influenciam as chances de um paciente voltar a tomar medicamentos suspensos.
Fatores protetores incluíram um maior nível de alfabetização em saúde por parte do paciente e uma exposição mais longa à intervenção de desprescrição, o que reduziu o risco de reinício. Em contrapartida, a fragmentação do cuidado provou ser um grande obstáculo. Pacientes que possuíam uma alta carga de medicamentos no início do estudo, que eram atendidos por múltiplos médicos prescritores e que utilizavam menos farmácias (1 a 2) apresentaram um risco significativamente maior de reiniciar os tratamentos.
Além disso, o estudo encontrou uma associação preocupante: os pacientes que reiniciaram medicamentos ainda durante a estadia na clínica de reabilitação (SNF) apresentaram taxas mais altas de readmissão hospitalar em 90 dias.
O Caminho a Seguir
A desprescrição não deve terminar no momento em que o paciente recebe alta. Os achados reforçam a necessidade de melhorar a coordenação do cuidado, a comunicação entre múltiplos médicos e a educação do paciente durante as transições para casa.
Para acessar a metodologia detalhada e os dados demográficos completos da pesquisa, leia o artigo original.
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