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O pastejo não seletivo aumenta significativamente a compactação do subsolo, exigindo um manejo adaptativo para proteger a saúde da pastagem a longo prazo. (imagem: CreativeAi / Adobe Stock) O pastejo não seletivo aumenta significativamente a compactação do subsolo, exigindo um manejo adaptativo para proteger a saúde da pastagem a longo prazo. (imagem: CreativeAi / Adobe Stock)
Bentham Science: O que o Pastejo Não Seletivo Deixa em Solos Semiáridos
  • Notícia
  • Ciências Agrárias
  • 11/08/2026
  • Bentham Science, Dot.Lib, Pastejo Não Seletivo, Infiltração de Água, Compactação do Solo, Pastagens Semiáridas, Agroecologia, Manejo Adaptativo, Matéria Seca

Em uma pastagem semiárida, a água que consegue entrar no solo decide quase todo o resto: quanta forragem cresce, quanta carga animal se sustenta e quanto o sistema resiste quando a chuva falha. Ainda assim, o debate sobre o pastejo intensivo costuma se reduzir a uma pergunta binária — degrada ou não degrada — sem separar o efeito da pisada do gado do efeito do próprio calendário climático. Medir os dois fatores ao mesmo tempo, no mesmo terreno e ao longo de um ciclo anual completo, continua sendo raro.

Foi exatamente isso que fizeram pesquisadores que avaliaram uma pastagem de Amelichloa clandestina no nordeste do México durante as quatro estações do ano, segundo um novo estudo publicado no periódico The Open Agriculture Journal, de nossa parceira Bentham Science. O trabalho comparou infiltração, umidade, compactação e estrutura da vegetação antes e depois de cada evento de pastejo e chegou a uma conclusão incômoda: o que não mudou na superfície mudou abaixo dela.

Um Ano Inteiro Medindo Antes e Depois de Cada Pisada

O experimento foi conduzido em uma área experimental de 32 hectares do Rancho "Los Ángeles", em Saltillo, Coahuila, a 2162 metros de altitude, em clima seco com precipitação média anual de 350 milímetros. Os autores usaram um delineamento em blocos completos casualizados, com as quatro estações como blocos e três repetições por estação, em parcelas de 600 metros quadrados. O pastejo não seletivo foi aplicado como um evento instantâneo de alta densidade, com carga de 333 unidades animais por hectare, sendo uma unidade animal equivalente a 450 quilogramas de peso vivo, em quatro datas de 2023: 29 de janeiro, 31 de março, 23 de junho e 23 de setembro.

As medições foram feitas imediatamente antes e depois de cada evento. A infiltração foi determinada com infiltrômetro de duplo anel e modelada pela equação de Kostiakov-Lewis; a resistência à penetração foi medida com penetrômetro digital a 2,5, 5,0, 7,5 e 10 centímetros; a umidade, com medidor TDR a 15 centímetros de profundidade. A análise combinou ANOVA com teste de Tukey para as estações, teste t de Student para o contraste de pastejo e correlação de Spearman.

A Estação Manda: Até 68% de Diferença na Velocidade da Água

A variação sazonal foi dominante. Depois do pastejo, a infiltração acumulada variou 52% entre estações, com 14,8 centímetros na primavera contra 7,1 centímetros no outono, enquanto a taxa de infiltração instantânea variou 68%, de 47,5 para 15,2 centímetros por hora. Antes do pastejo, a infiltração acumulada ia de 9,0 centímetros no outono a 13,5 centímetros no inverno. O modelo de Kostiakov-Lewis mostrou bom ajuste em todos os casos, com coeficientes de determinação superiores a 0,90.

Já o efeito do pastejo sobre a infiltração não foi estatisticamente significativo em três das quatro estações, com valores de p maiores ou iguais a 0,05; apenas o verão apresentou diferença significativa. A umidade do solo seguiu o mesmo padrão sazonal: o outono registrou o maior teor após o pastejo, com 59%, e o inverno o menor, com 21%.

A Marca Que Aparece a 10 Centímetros

Abaixo da superfície o quadro foi outro. O pastejo aumentou de forma consistente a compactação do subsolo, com valores de resistência à penetração superiores a 1800 quilopascais entre 7,5 e 10 centímetros. Na primavera, a compactação após o pastejo chegou a 2495 e 1926 quilopascais a 10 e 7,5 centímetros; no verão, subiu de 1429 e 1240 quilopascais antes do pastejo para 2183 e 2027 quilopascais depois; no outono, alcançou 1844 quilopascais a 10 centímetros. Em contraste, a menor resistência antes do pastejo foi registrada a 2,5 centímetros, com 179 quilopascais na primavera.

O Que Sobra da Forragem

A estrutura da vegetação sofreu o impacto nas quatro estações, com diferenças significativas entre o antes e o depois. A produção de matéria seca antes do pastejo foi maior na primavera, com 3347 quilogramas por hectare, seguida de inverno, verão e outono, com 3307, 3010 e 1907 quilogramas. Depois do pastejo, restou o seguinte:

  • Verão: 661 quilogramas de matéria seca por hectare
  • Primavera: 437 quilogramas por hectare
  • Inverno: 398 quilogramas por hectare
  • Outono: 218 quilogramas por hectare

A redução chegou, assim, a 89%, de 3347 para 218 quilogramas por hectare. A altura das plantas caiu de 53 centímetros no inverno antes do pastejo para no máximo 16 centímetros na primavera depois dele. A correlação de Spearman confirmou o vínculo entre cobertura vegetal e infiltração, com coeficiente de 0,38 para a produção de matéria seca e de 0,44 para a cobertura basal.

Um Calendário de Pastejo Ajustado à Umidade

Os autores concluem que a sazonalidade determinou a infiltração entre duas e quatro vezes mais do que o pastejo e alertam que a ausência de mudanças imediatas na infiltração não deve ser lida como ausência de risco, e sim como um processo de degradação cumulativa. Na prática, o pastejo na primavera, com baixa umidade do solo e cobertura vegetal protetora, teve o menor impacto sobre a capacidade de infiltração, enquanto o outono, com umidade máxima, intensificou a compactação subsuperficial. A recomendação é um manejo adaptativo, com exclusão em períodos úmidos e descansos adequados. Os próprios autores apontam os limites do trabalho: três repetições e um único ciclo anual, o que exige estudos plurianuais.

Para conhecer a metodologia completa e todos os achados, acesse o artigo original).

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