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A tradição indígena e a biologia se uniram em um processo judicial inovador para proteger o arroz selvagem. (imagem: Matt Lavin, utilizada sob licença CC BY-SA 2.0) A tradição indígena e a biologia se uniram em um processo judicial inovador para proteger o arroz selvagem. (imagem: Matt Lavin, utilizada sob licença CC BY-SA 2.0)
JSTOR: O Caso Histórico em que uma Planta Processou o Estado
  • Notícia
  • Ciências Agrárias, Ciências Sociais Aplicadas
  • 10/03/2026
  • Direito Ambiental, Dot.Lib, JSTOR, Sustentabilidade, Direitos da Natureza, Povos Indígenas

Em 2021, um processo judicial nos Estados Unidos apresentou um autor peculiar: o arroz selvagem. O caso Manoomin et al. v. Minnesota Department of Natural Resources (DNR) contestou uma licença estadual que permitia à empresa Enbridge a retirada de cerca de cinco bilhões de galões de água doce para a construção do gasoduto de areias betuminosas Line 3. Um artigo publicado no blog da JSTOR, JSTOR Daily, analisa como esse litígio representa um marco na evolução da legislação ambiental global.

Muito Mais que um Recurso: Um Parente

Conhecido como manoomin na língua Anishinaabe, o arroz selvagem do norte (Zizania palustris) é uma gramínea aquática que depende de ritmos sazonais rigorosos e de água limpa para sobreviver. Para os povos indígenas da região dos Grandes Lagos, o manoomin não é apenas um recurso agrícola, mas um presente do Criador e a base de sua cultura, espiritualidade e economia. A colheita é feita sob uma relação de reciprocidade, estruturada para sustentar tanto a planta quanto as pessoas, em que os humanos cuidam da planta para que ela possa prosperar.

Ameaças Histórias e Modernas

Historicamente, os colonizadores europeus viam a planta apenas como um grão de baixo custo, tentando, sem sucesso, transplantá-la e comodificá-la. Esses esforços falharam porque não conseguiram replicar as condições ecológicas ou as práticas de manejo e proteção indígena. Hoje, as ameaças são diferentes, mas igualmente graves: a mudança climática altera os ritmos sazonais vitais para a planta, enquanto projetos de mineração e infraestrutura ameaçam a qualidade da água.

A Evolução dos Direitos da Natureza

Para proteger a planta, a tribo White Earth Band of Ojibwe recorreu a uma estratégia legal transformadora: reconhecer o arroz selvagem como uma pessoa não humana detentora de direitos. O movimento dos "direitos da natureza" — que tem raízes modernas no ensaio de Christopher Stone de 1972, "Should Trees Have Standing?" — focou historicamente em garantir personalidade jurídica a rios e ecossistemas.

A grande mudança ocorreu em 2018, quando a tribo promulgou os "Direitos do Manoomin", marcando o primeiro caso em que uma espécie de planta recebeu direitos legais executáveis. O processo de 2021 argumentou que o desvio massivo de água violava o direito fundamental do manoomin de existir, prosperar e ter acesso a um habitat de água doce. Embora o caso tenha sido encerrado sob o argumento de que o tribunal tribal não tinha jurisdição sobre atividades fora da reserva, sua verdadeira importância reside na inovação jurídica. O caso desafia a tradição legal ocidental que torna a vida vegetal invisível, insistindo que uma espécie de planta pode ser um sujeito portador de direitos por si só.

Para pesquisadores de direito ambiental, sociologia e políticas públicas, este artigo da JSTOR Daily demonstra como as humanidades e os saberes tradicionais estão pavimentando o futuro da proteção ecológica.

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