Estudo revela que o impacto do peso na qualidade de vida muda drasticamente de acordo com a idade e o sexo. (imagem: charliepix)
BMJ Group: O IMC Afeta a Qualidade de Vida de Forma Diferente Segundo a Idade e o Sexo?
O índice de massa corporal (IMC) é uma das medidas mais utilizadas em saúde pública para avaliar o estado nutricional da população. No entanto, a sua relação com a qualidade de vida relacionada à saúde (QVRS) é mais complexa do que costuma ser presumido, e varia significativamente segundo a idade e o sexo de cada pessoa.
Um estudo recente publicado no periódico Family Medicine and Community Health, da nossa editora BMJ Group, analisa essa relação em uma amostra nacionalmente representativa de adultos sul-coreanos, trazendo achados que desafiam algumas percepções comuns sobre o peso e o bem-estar.
Amostra de Mais de 223 Mil Pessoas
O estudo utilizou dados da Pesquisa de Saúde Comunitária da Coreia do Sul de 2021, com uma amostra final de 223.336 adultos maiores de 19 anos. A qualidade de vida foi medida com a escala EQ-5D, que avalia cinco dimensões: mobilidade, autocuidado, atividades habituais, dor/desconforto e ansiedade/depressão. Os participantes foram classificados em três grupos etários: jovens adultos (19 a 39 anos), adultos de meia-idade (40 a 64 anos) e adultos mais velhos (65 anos ou mais).
Principais Achados sobre Peso e Bem-Estar
A análise dos dados revelou padrões distintos e, em alguns casos, surpreendentes:
- O baixo peso é um risco subestimado: O baixo peso associou-se consistentemente a uma menor qualidade de vida em todas as faixas etárias, tanto em homens quanto em mulheres. O impacto foi especialmente pronunciado em homens com mais de 40 anos; aqueles com baixo peso entre 40 e 64 anos apresentaram o maior risco de problemas na dimensão de ansiedade e depressão, com uma probabilidade 2,48 vezes maior em relação àqueles com peso normal. Esse achado ganha relevância em um contexto onde o baixo peso é frequentemente ignorado como problema de saúde pública em países de alta renda, que focam quase exclusivamente na obesidade.
- Obesidade nas mulheres: Em mulheres, a obesidade associou-se a uma menor qualidade de vida em todos os grupos etários. As mulheres jovens (de 19 a 39 anos) com pré-obesidade ou obesidade relataram dificuldades nas cinco dimensões do EQ-5D, um padrão que os autores vinculam à maior exposição feminina a pressões socioculturais relacionadas à imagem corporal e à discriminação pelo peso.
- O paradoxo nos homens mais velhos: Em contrapartida, o panorama foi diferente para os homens. Aqueles de meia-idade e os mais velhos com obesidade tenderam a relatar melhores resultados de qualidade de vida (e menores chances de ansiedade/depressão) do que seus pares com peso normal. Os autores advertem que esse achado deve ser interpretado com cautela, já que o sobrepeso e a obesidade continuam sendo fatores de risco estabelecidos para doenças cardiovasculares e outras condições crônicas.
Implicações para as Políticas de Saúde
Os resultados do estudo apontam para a necessidade de desenhar intervenções de saúde pública que vão além de mensagens genéricas sobre o peso. As políticas de promoção da saúde e do bem-estar devem considerar as diferenças por sexo e etapa da vida, priorizando a saúde nutricional em adultos mais velhos e atentando para o impacto psicossocial do peso em mulheres jovens.
Para conhecer os detalhes metodológicos completos, os modelos estatísticos e as análises por subgrupo, acesse o artigo original.
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