Para onde vai a dose exata? O processo de triturar comprimidos espalha resíduos que resultam em uma perda alarmante do medicamento antes mesmo de chegar ao paciente. (imagem: Natalia / Adobe Stock)
American Association of Critical-Care Nurses: O Desafio da Administração de Medicamentos Orais em Cuidados Críticos
Nas movimentadas alas dos hospitais, a administração de medicamentos é um pilar fundamental do cuidado ao paciente, e os profissionais de enfermagem se orgulham de entregar as doses prescritas com a maior exatidão possível. No entanto, quando um paciente não consegue engolir, a prática padrão dita que o comprimido deve ser triturado, suspenso em água e administrado através de uma seringa por uma sonda gástrica. À primeira vista, parece uma solução perfeita, mas os enfermeiros notam há muito tempo que sempre fica um pequeno resíduo de pó nos recipientes. Quanto medicamento está se perdendo exatamente no caminho?
Um estudo revelador publicado no American Journal of Critical Care, de nossa parceira American Association of Critical-Care Nurses, decidiu levar essa inquietação clínica diretamente ao laboratório para quantificar o problema com precisão científica.
O Experimento: Seguindo o Rastro do Pó
Para medir essa perda oculta, uma equipe de enfermeiros pesquisadores formou uma parceria com um laboratório universitário de química. O objetivo era simular meticulosamente a rotina do hospital sob condições controladas.
O processo foi desenhado da seguinte forma:
- Utilizou-se um comprimido de aspirina de 325 mg, um medicamento comum em pacientes com doenças agudas.
- A pílula foi triturada em uma capa de plástico utilizando um triturador comercial, depois esvaziada em um copo de medicamentos, suspensa em 20 mL de água, extraída com uma seringa e injetada através de uma sonda gástrica de 122 cm em um frasco de coleta.
- Posteriormente, o tubo foi enxaguado com água adicional, simulando a prática habitual.
- A mistura resultante foi dissolvida em álcool isopropílico e analisada utilizando espectroscopia ultravioleta-visível a 231 nm para medir com exatidão qual quantidade de aspirina chegou ao frasco. Este processo foi repetido em 5 ensaios.
Os Impactantes Resultados da Subdosagem
As descobertas do experimento confirmaram as suspeitas dos enfermeiros, mas a magnitude da perda foi surpreendente:
- Em média, 22,0% da pílula original se perdeu durante todo o processo de trituração e administração.
- Aproximadamente 5,7% do medicamento ficou preso na capa de plástico e no copo de medicamentos.
- Os 16,3% restantes se perderam no trajeto entre a seringa e a sonda gástrica antes de chegar ao frasco final.
Implicações Críticas para a Prática Clínica
Perder mais de um quinto da dose prescrita não é uma questão sem importância. Embora o estudo tenha utilizado aspirina, os autores advertem que essa perda representa uma ameaça crítica quando se trata de medicamentos com uma janela terapêutica estreita, como a varfarina, a digoxina e a levotiroxina. Uma variabilidade nas doses desses fármacos pode provocar respostas clínicas imprevisíveis e perigosas.
O estudo faz um forte chamado à ação: sempre que possível, devem-se buscar alternativas como suspensões orais ou supositórios para os pacientes que não conseguem engolir. Quando triturar a pílula for a única opção, os clínicos devem estar plenamente conscientes de que está ocorrendo uma subdosagem.
Para aprofundar-se na metodologia deste experimento e explorar todas as suas recomendações clínicas, convidamos você a ler o artigo completo no American Journal of Critical Care.
Sobre a American Association of Critical-Care Nurses (AACN)
A American Association of Critical-Care Nurses (AACN) é a maior organização de enfermagem especializada do mundo e a autoridade líder em cuidados críticos. Suas publicações de alto impacto e diretrizes baseadas em evidências são referências globais indispensáveis, estabelecendo os padrões de excelência e segurança para a prática clínica em ambientes de alta complexidade.
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