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Crianças com asma e diabetes apresentaram tempos de internação mais curtos por COVID-19. (imagem: Nawal Karimi) Crianças com asma e diabetes apresentaram tempos de internação mais curtos por COVID-19. (imagem: Nawal Karimi)
American Academy of Pediatrics: O Impacto das Comorbidades em Crianças Hospitalizadas por COVID-19
  • Notícia
  • Ciências da Saúde
  • 09/04/2026
  • AAP, COVID19, Cuidados Intensivos, Dot.Lib, Pediatria, Saúde Pública

Embora a maioria das infecções por COVID-19 em crianças seja leve ou assintomática, uma parcela de pacientes precisa de cuidados intensivos, especialmente aqueles com condições médicas pré-existentes. Mas qual é a realidade clínica dentro dos hospitais?

Para entender esse cenário, um estudo publicado na revista Pediatrics Open Science, da American Academy of Pediatrics, analisou de forma abrangente os dados de 101.187 pacientes (de zero a 21 anos) internados em 1.028 centros médicos nos Estados Unidos, entre março de 2020 e dezembro de 2023.

Os Números Gerais da Internação

A pesquisa, baseada no enorme banco de dados clínicos Vizient, revelou estatísticas essenciais sobre a jornada hospitalar pediátrica:

  • 19,9 por cento das crianças hospitalizadas precisaram de internação em UTI.
  • O tempo médio de internação (LOS) foi de 5,4 dias.
  • A taxa de readmissão em 30 dias foi de 8,9 por cento.
  • A mortalidade hospitalar foi de 1,0 por cento. Vale destacar que essa taxa reflete apenas os casos graves que chegaram a ser internados, não representando o risco da população pediátrica em geral.

Fatores de Risco e Descobertas Surpreendentes

A idade se mostrou um fator decisivo. Pacientes mais velhos tiveram maior mortalidade, mais readmissões e maior tempo de internação geral. Curiosamente, porém, tiveram um tempo de permanência na UTI mais curto do que as crianças mais novas. Isso pode refletir uma recuperação fisiológica mais rápida em adolescentes do que em crianças pequenas que desenvolvem quadros hiperinflamatórios.

Como esperado, comorbidades nos sistemas neurológico, cardiovascular, endócrino, imunológico e hematológico estiveram consistentemente associadas a piores desfechos, prolongando a internação e aumentando os riscos de mortalidade.

No entanto, o estudo trouxe descobertas contraintuitivas: crianças com asma, diabetes e anemia falciforme apresentaram tempos de internação mais curtos e menor mortalidade no hospital. Segundo os autores, isso não significa que essas doenças ofereçam proteção, mas sugere que esses pacientes recebem uma vigilância médica redobrada e intervenções terapêuticas precoces e agressivas logo no início da internação.

O Papel da Demografia

A pesquisa também avaliou fatores demográficos, tratando a raça e a etnia como construções sociais que refletem desigualdades estruturais e acesso ao sistema de saúde, e não como traços biológicos.

O sexo masculino e o aumento da idade foram associados a piores resultados, incluindo maior uso de UTI. Por outro lado, a etnia hispânica esteve associada a internações mais curtas e menor risco de readmissão. Isso pode refletir diferenças nos limiares de admissão hospitalar, no nível de gravidade no momento da triagem ou em padrões de cuidado regionais.

Para líderes de saúde e médicos, esses dados destacam a necessidade de refinar os protocolos de triagem e direcionar melhor os recursos, focando especialmente em crianças com múltiplas condições crônicas e adolescentes mais velhos.

Para ler os detalhes metodológicos e a análise completa das variáveis, acesse o artigo original.

Sobre a American Academy of Pediatrics (AAP)

A American Academy of Pediatrics (AAP) é uma organização profissional formada por milhares de pediatras e cirurgiões pediátricos que têm por missão garantir a saúde, a segurança e o bem-estar de bebês, crianças, adolescentes e jovens. Mantém um dos maiores programas de publicações na área da pediatria em todo o mundo. 

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