Muito além das calculadoras de risco: a tomografia computadorizada revela-se uma ferramenta essencial para detectar a calcificação coronariana silenciosa em pacientes com lúpus. (imagem: doraclub / Adobe Stock)
The Journal of Rheumatology: Repensando a Detecção Cardiovascular no Lúpus
O lúpus eritematoso sistêmico (LES) não é apenas uma doença autoimune. A doença cardiovascular (DCV) continua sendo uma das principais causas de mortalidade em pacientes com LES. Pessoas com lúpus sofrem infartos do miocárdio e acidentes vasculares cerebrais a taxas que superam em muito as da população em geral, frequentemente em idades surpreendentemente jovens.
O problema não é apenas a doença em si; as atuais ferramentas de triagem para identificar os pacientes em risco continuam sendo insuficientes. Um editorial publicado no The Journal of Rheumatology por Maureen McMahon e Brian J. Skaggs, da UCLA David Geffen School of Medicine, analisa como e por que o sistema atual está falhando.
As Calculadoras de Risco Não Funcionam no Lúpus
Durante décadas, a medicina confiou em ferramentas convencionais para identificar quais pacientes necessitam de intervenção preventiva. Em pacientes com LES, no entanto, essas calculadoras, incluindo o amplamente utilizado ASCVD Risk Score, são inadequadas. Um estudo de Patel et al. analisado no editorial chegou a conclusões preocupantes:
- O ASCVD identificou apenas 15% dos pacientes com LES e calcificação da artéria coronária (CAC) como sendo de alto risco, destacando sua baixa sensibilidade.
- 12% dos pacientes com menos de 40 anos tinham evidência de cálcio coronário anormal. No entanto, nenhum foi classificado como de alto risco usando a calculadora ASCVD.
- Uma grande proporção de pacientes classificados como de "baixo risco" já demonstra CAC nas tomografias, um poderoso preditor de eventos cardiovasculares futuros.
Por Que o Lúpus Acelera a Aterosclerose?
O desenvolvimento de placas ateroscleróticas no LES é multifatorial e provavelmente impulsionado pela inflamação sistêmica crônica e desregulação imunológica. Entre os mecanismos identificados estão:
- Citoquinas inflamatórias: Elementos como fator de necrose tumoral (TNF), interleucina 6 e interferon alfa contribuem para o processo.
- Armadilhas de neutrófilos: A ativação e liberação de armadilhas extracelulares de neutrófilos (NETs) afetam o risco.
- Síndrome metabólica: É comum em pacientes com LES, incluindo a desregulação de citoquinas e adipocinas.
- Medicamentos: A dose cumulativa e a duração do uso de corticosteroides aceleram independentemente a formação de placas ateroscleróticas.
Uma Janela para o Risco Real
Dadas as limitações das calculadoras, os dados sugerem que as imagens de CAC podem ser ainda mais valiosas no LES.
- O CAC está presente pelo menos 2 a 3 vezes mais frequentemente em pacientes com LES do que em controles.
- Um estudo mostrou que as chances de ter um escore CAC significativo foram 12,6 vezes maiores no LES do que nos controles.
- Mesmo pacientes com doenças reumáticas com baixo nível de CAC (1-99) tiveram um risco duas vezes maior de sofrer um evento cardiovascular adverso maior (MACE).
A Ação Preventiva
No futuro, é provável que painéis de predição de risco específicos para o LES sejam validados, como o escore PREDICTS, que demonstrou que pacientes com escores altos têm um risco 3,7 vezes maior de sofrer um MACE.
No entanto, a estratificação de risco só é útil quando estratégias preventivas são implementadas nos pacientes. O início do uso de estatinas é baixo mesmo em pacientes identificados como de alto risco. A medicina tem o desafio de implementar estratégias precoces para prevenir futuras complicações cardiovasculares nessa população.
Para ler a análise clínica detalhada, acesse o editorial original no The Journal of Rheumatology.
Sobre The Journal of Rheumatology
Classificado entre as três principais publicações essenciais para a reumatologia de acordo com o The Canadian Essential Journal Study, The Journal of Rheumatology publica artigos de pesquisa clínica revisados por pares sobre assuntos clínicos de cientistas que trabalham em reumatologia e áreas relacionadas. Há mais de 50 anos, é uma publicação altamente relevante para os reumatologistas, devido à ênfase na continuidade e na inovação.
Se você deseja conhecer melhor The Journal of Rheumatology para a sua instituição, entre em contato pelo info@dotlib.com ou preencha nosso formulário. Aproveite e acompanhe nosso blog, siga nossas redes sociais e se inscreva na Dotlib TV, nosso canal oficial no YouTube.
Dot.Lib
A Dot.Lib distribui conteúdo online científico e acadêmico a centenas de instituições espalhadas pela América Latina. Temos como parceiras algumas das principais editoras científicas nacionais e internacionais. Além de prover conteúdo, criamos soluções que atendem às necessidades de nossos clientes e editoras.