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Como o novo coronavírus pode afetar as funções neurológicas?
  • Artigo
  • Dotlib, Saúde Pública, Ciências da Saúde
  • 29/04/2020
  • JAMA, NEJM, BMJ, coronavírus, sistema nervoso, cérebro

“Pacientes com COVID-19 geralmente apresentam sintomas neurológicos e a infecção pode deixar de ser apenas de caráter respiratório”, essa foi a conclusão de estudos publicados sobre o assunto na área da neurologia.

Sabe-se que o novo coronavírus atinge de modo geral o sistema respiratório, apresentando sintomas como: tosse, febre alta e falta de ar, em casos mais graves. Porém, outras manifestações dos infectados mostram que diversos órgãos do corpo podem ser alvos da ação do vírus, como o cérebro. 

Os sintomas como dor de cabeça, tontura, confusão mental, falta de coordenação motora e até acidente vascular cerebral (AVC) - as chamadas doenças do foro neurológico - que alguns pacientes têm apresentado, indicam que o COVID-19 além de atacar o trato respiratório pode atingir também o sistema nervoso e o cérebro. Diante disso, entender a ação do SARS-CoV-2 no âmbito neurológico, consequentemente, e as suas manifestações  se tornou mais um objeto de pesquisa importante para comunidade científica.

Veja abaixo os principais estudos, publicados em renomados periódicos da área de medicina, que investigam as possíveis alterações neurológicas no cérebro e no sistema nervoso causadas pelo novo coronavírus. Confira:

Um estudo publicado no periódico JAMA Neurology aponta que a COVID-19 tem uma importante relação com o sistema nervoso, ou seja, as pessoas infectadas podem apresentar também sintomas neurológicos. Nesta pesquisa, os cientistas analisaram 214 pacientes positivos para a infecção, no período de 16 de janeiro de 2020 a 19 de fevereiro de 2020, em 3 centros de atendimento na cidade de Wuhan, na China. Eles concluíram que 78 (36,4%) apresentaram sintomas neurológicos, sendo 5 com acidente vascular cerebral (AVC), 13 com distúrbio de consciência e 17 com lesão muscular esquelética.

Além disso, esses sintomas foram classificados em três categorias: sistema nervoso central (tontura, dor de cabeça, acidente vascular cerebral, consciência prejudicada, convulsões, etc); sistema nervoso periférico (comprometimento do paladar, olfato, visão e dor nervosa) e aqueles relacionados com lesões musculares.

Outro trabalho recente publicado na The New England Journal of Medicine (NEJM) traz  esclarecimentos sobre as características neurológicas da infecção. Essa pesquisa foi realizada em duas unidades de terapia intensiva em Estrasburgo, França, no período de 3 de março e 3 de abril de 2020, com a análise de 58 pacientes. Os pesquisadores observaram que em metade das pessoas com a síndrome respiratória aguda devido à infecção por SARS-CoV-2 foi associada a encefalopatia, agitação, confusão mental e sinais no trato corticoespinhal. Enquanto que em 13 pacientes submetidos à ressonância magnética cerebral, dois tiveram um único AVC isquêmico agudo.

O estudo do Journal of Medical Virology, da Wiley, corrobora com essas evidências e traz também a proposta de analisar a capacidade do patógeno de invadir as células do sistema nervoso e desempenhar um papel na insuficiência respiratória dos acometidos pela doença. Os dois destaques da pesquisas são: alguns coronavírus pode invadir o tronco cerebral por meio de uma rota conectada à sinapse do pulmão e vias áreas e uma possível invasão do vírus pode ser um dos motivos da insuficiência respiratória aguda. 

Como o vírus pode atingir o cérebro?

Os sintomas como derrames, inflamação cerebral e desorientação mental já foram detectados em infectados, porém os médicos ainda investigam se são causados pela ação direta do patógeno ou pela inflamação associada a ele.

De acordo com o neurologista da Michel Toledano, da Mayo Clinic, o SARS-COV-2 pode alcançar o cérebro de duas formas: a primeira ocorre por meio de uma resposta imunológica anormal chamada “tempestade de citocinas”, que pode desencadear uma inflamação cerebral chamada encefalite autoimune. Foi observado que os infectados - em estado grave - apresentaram uma síndrome chamada de hipercitocinemia ou “tempestade de citocinas”. Essas citocinas são substâncias que são liberadas de forma natural e discreta no sangue para ativar o sistema imunológico. 

Já a outra forma acontece por uma infecção direta do cérebro, a encefalite viral. O SNC é protegido pela estrutura chamada barreira hematoencefálica, sendo responsável para evitar que substâncias neurotóxicas presentes no sangue tenha acesso. No entanto, esse bloqueio pode falhar e permitir que algumas entrem.

Alguns especialistas defendem ainda a teoria de que o nariz poderia ser o meio de acesso do vírus até o cérebro, uma vez que o comprometimento do olfato é um sintoma comum nos infectados. No entanto, os pesquisadores continuam estudando para entender melhor esse fenômeno para que possam identificar as sequelas neurológicas que podem gerar aos pacientes e, assim, permitir o desenvolvimento de tratamentos mais eficientes. 

Orientações para os neurologistas



Para auxiliar os neurologistas na compreensão de ocorrências, no desenvolvimento e no prognóstico sobre a síndrome, foi criado o
“Consenso para prevenção e tratamento da doença por coronavírus 2019 (COVID-19) para neurologistas”. Publicado no periódico BMJ Neurology Open, esse artigo tem como proposta reunir em um único documento as diretrizes para o reconhecimento da doença de forma precoce para proteger e aplicar o tratamento mais indicado.

Neste conteúdo, os profissionais têm acesso as possíveis causas de sintomas neurológicos, as precauções que devem ser adotadas, as manifestações, o manejo em emergência neurológica e na via aguda do AVC verde, os cuidados necessários nas clínicas e muito mais.  Neste período de pandemia, a editora está liberando esses e outros conteúdos gratuitos com as informações mais recentes sobre a pandemia atual. 

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