Um novo protocolo de ensaio clínico explora o impacto psicológico e cognitivo de revelar o risco de Alzheimer para pacientes saudáveis (imagem: Alican Lazutti / iStock)
BMJ Group: Revelando o Risco de Alzheimer a Pacientes Assintomáticos
A Doença de Alzheimer (DA) começa biologicamente anos antes do surgimento dos sintomas clínicos. Com o avanço dos biomarcadores (como PET amiloide e testes plasmáticos) e da genética, hoje é possível identificar indivíduos cognitivamente normais que possuem alto risco de desenvolver a doença. Existe, entretanto, uma questão ética e prática crucial: devemos contar a essas pessoas saudáveis que elas têm alterações patológicas no cérebro, mesmo na ausência de cura definitiva? E se contarmos, isso causará ansiedade, depressão ou até mesmo uma percepção subjetiva de declínio cognitivo?
Um novo artigo publicado no BMJ Open, de nossa editora parceira BMJ Group, apresenta o protocolo do estudo WeSHARE (Washington University Study of Having Alzheimer Disease Research Results Explained), desenhado para responder a essas perguntas.
Metodologia Inovadora: O Design de Início Tardio
Para medir o impacto dessa revelação de forma ética, os pesquisadores da Washington University desenharam um ensaio clínico randomizado de início tardio (delayed-start).
- Braço de Intervenção: Recebe os resultados da pesquisa (risco estimado de 5 anos para demência) 2 semanas após o consentimento.
- Braço de Início Tardio (Controle): Recebe os mesmos resultados após 1 ano.
Isso permite que os pesquisadores comparem os resultados psicológicos e cognitivos entre quem "já sabe" e quem "ainda não sabe", sem negar permanentemente a informação a nenhum participante, respeitando sua autonomia.
Uma Abordagem Multimodal de Risco
Diferente de estudos anteriores que focavam em somente um marcador (como apenas o status do gene APOE ou apenas PET amiloide), o WeSHARE inova ao retornar uma estimativa de risco absoluto combinada. O estudo sintetiza dados de genotipagem APOE, imagem (PET/RM) ou biomarcadores plasmáticos recentes, juntamente com idade, gênero e raça. Isso reflete muito mais a realidade da futura medicina de precisão do que testes isolados.
Por Que Isso Importa?
Os desfechos primários medem mudanças na cognição subjetiva e objetiva, além de escalas de depressão geriátrica. Entender se o conhecimento do risco causa danos psicológicos ("ansiedade do diagnóstico") ou se empodera o paciente é vital para o desenho de futuros ensaios clínicos e para a prática clínica, especialmente com a chegada de terapias modificadoras da doença que exigirão triagem precoce.
Para conhecer os detalhes estatísticos e as ferramentas de avaliação psicológica utilizadas neste protocolo, acesse o artigo completo.
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