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5 competências de uma liderança em tempos de crise
  • Artigo
  • Dotlib, Saúde Pública, Ciências da Saúde, COVID-19
  • 06/05/2020
  • coronavírus, liderança, BMJ Leader, liderança em saúde

A pandemia do novo coronavírus se apresenta como um desafio para os gestores, principalmente, na área da saúde. Desde o início dos primeiros casos confirmados da infecção de COVID-19, em dezembro de 2019, na China, medidas de prevenção - como o isolamento social - vêm sendo adotadas para o controle da doença.

Com a propagação do patógeno em diversos países, líderes de hospitais, instituições, organizações em saúde e autoridades governamentais precisaram elaborar um planejamento para lidar e administrar toda a sua estrutura no combate ao vírus. A crise se tornou global e uma grande preocupação de líderes de várias nações.

Diante dessa situação, o papel do líder e seus atos se tornaram fundamentais para construir  uma gestão sólida no enfrentamento de uma fase difícil, assim, mitigar os seus efeitos e alcançar bons resultados. 

Um artigo publicado no journal BMJ Leader, apresentou 5 práticas importantes para os líderes em saúde em tempo de crise, neste caso, de COVID-19. Além de fornecer exemplos de como têm desenvolvido estratégias de combate ao patógeno em sua organização, de acordo com cada competência especificada. Veja a seguir: 

• Seja proativo: a proatividade é caracterizada por um comportamento de antecipação de forma espontânea diante de situações impostas pelo meio. Logo, essa competência é fundamental para o líder, principalmente, aqueles à frente de uma pandemia, um momento em que são necessárias respostas - medidas de prevenção - rápidas para contenção da doença.

Dessa forma, o artigo evidencia dois tipos de proatividade: a proatividade antes que a crise aconteça e a proatividade depois que ela está em andamento. Acrescenta ainda que essa ação por antecipação é fundamental para entender as pessoas, a função de cada uma e os recursos necessários quando um problema em grande escala surge.

• Esclarecer a governança para a crise: estabelecer diretrizes de como os integrantes de uma governança irão atuar é fundamental para obter uma visão mais global e definir os protocolos de ação. Logo, é importante criar uma estrutura, com políticas e regulamentos de como a liderança irá se organizar.

O trabalho ressalta a importância do desenvolvimento de um centro de “comando de incidentes”, que reúne os principais líderes regularmente para tomar decisões em tempo real com base nos conhecimentos do grupo e informações obtidas até o momento. As crises, geralmente, são uma forma de testar como as estruturas de governo podem adequar os modelos existentes e implementar medidas e novas funções em sua estrutura.


• Aja rapidamente: o planejamento de medidas rápidas para o combate de uma crise é importante para minimizar seus possíveis efeitos. Por exemplo, um centro de comando de incidentes representa um local para unificar as informações a fim de tomar decisões de forma rápida devido a urgência, como é o caso do SARS-CoV-2, que atingiu indivíduos em nível mundial. Um ponto de destaque, é que incorporado na ação rápida está o compromisso de liderança de “capacitar os outros a agirem”.

• Comunique-se ativamente: alinhar os processos entre todos os componentes da equipe em prol de um objetivo comum é essencial. Esse alinhamento é realizado por meio da comunicação, que deve ser frequente, interativa e através de diversos canais como podcasts, vídeos, e-mails etc. Com essa medida, os líderes são capazes de conectar os esforços atuais com a cultura organizacional da empresa ou instituição representada. Assim, “a comunicação é necessária para inspirar uma visão compartilhada”.

Um exemplo apresentado é do CEO da Cleveland Clinic, Dr. Mihaljevic, que desde o início das ações de planejamento (21 de janeiro de 2020) a comunicação tem sido uma primazia. Regularmente interações são realizadas com todos os 66.000 pessoas de sua instituição, para alinhar serviços e orientações sobre como lidar com as dificuldades juntos. Entende-se que a prioridade deve ser agir de forma sincronizada.

• Seja realista e otimista: a publicação inicia esse tópico com a citação de Scott Fitzgerald que diz: "o teste de uma inteligência de primeira classe é a capacidade de reter duas ideias opostas na mente ao mesmo tempo e ainda reter a capacidade de funcionar". A seguir, continua relacionando a frase com a situação atual. A liderança em uma crise concomitantemente faz referência ao desafio à frente, reconhecendo as contribuições feitas até o momento e capturando de maneira otimista a realidade que sairá da crise para um estado de normalidade. 

Além disso, cita que as comunicações de liderança na Cleveland Clinic estão baseadas na realidade de que o coronavírus representa um desafio existencial, juntamente com um tom de otimismo para garantir o êxito.  É importante que os líderes possam apresentar um comportamento otimista, pois seus atos influenciam outras pessoas, como sua equipe, por exemplo. 

Com base nessas 5 práticas específicas de liderança, o estudo concluiu que a crise eleva a necessidade de uma grande liderança tanto pelo sucesso em sua presença, quanto pelo fracasso em sua ausência. Ainda discursa sobre a importância de adotar medidas específicas, como essas que foram apresentadas, podem ajudar construir um planejamento mais eficiente. Essas reflexões são baseadas nas competências de liderança de Kouzes e Posner, autores do livro “O desafio da liderança”.

Encontre mais conteúdos para o aperfeiçoamento na liderança em saúde no BMJ Leader. Abaixo, separamos também duas publicações -  no formato de entrevista - de líderes em saúde que responderam sobre o papel da liderança, quais são as mudanças comportamentais diante da pandemia e como suas experiências anteriores têm influenciado suas ações.

Dez minutos com o Dr. Ian Reckless, diretor médico do Hospital Universitário Milton Keynes, NHS Foundation Trust

Dez minutos com o Dr. Hong Fung, CEO, Centro Médico da Universidade Chinesa de Hong Kong

Sobre o BMJ Leader:

O BMJ Leader - um dos produtos da BMJ - é um periódico internacional, on-line, de revisão por pares. Seu objetivo é trazer conteúdos focados em liderança em saúde e ajudar a construir gestores melhores, resilientes, com habilidades e conhecimentos eficazes em gestão. A publicação traz pesquisas e análises originais, interpretações da base de evidências e reflexões, debates com profissionais sobre os principais assuntos de liderança em saúde e assistência. 

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