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Quatro aplicações da Inteligência Artificial na sociedade
  • Artigo
  • Tecnologia, Ciências Exatas
  • 16/07/2021
  • Inteligência Artificial, Tecnologia, DotLib

A expressão “Inteligência Artificial” (ou I.A., na sigla) foi criada em 1956 pelo cientista da computação e matemático John McCarthy e o conceito por trás desse termo refere-se à capacidade de máquina perceber a natureza ao seu redor e, a partir disso e por meio de programas sofisticados, realizar ações que não só atinjam os resultados esperados sem intervenção humana, mas os maximizem. Na prática, tudo começou com o também cientista da computação e matemático britânico Alan Mathison Turing, considerado o pai da ciência da computação teórica e da Inteligência Artificial.

Em 1950, Turing publicou o artigo “Computing Machinery and Intelligence”, no qual relatou o desenvolvimento da nova tecnologia. No registro, o cientista discute incógnitas acerca do tema, tais como o quê, de fato, é inteligência e quais são os critérios para que uma máquina seja considerada inteligente. Foi então que ele propôs o “teste de Turing”, experimento cujo objetivo era o de definir esses critérios e testar a capacidade de uma máquina ser equivalente ou indistinguível em inteligência aos humanos. 

Com o passar do tempo, Turing chegou à conclusão que, em vez de criar um programa com as capacidades semelhantes às do raciocínio de um adulto humano, seria mais fácil fazê-lo com que simulasse os raciocínios da mente de uma criança e submetê-lo a um processo de educação. Décadas mais tarde, esse processo ficaria conhecido como “machine learning” (aprendizado de máquina). 

Diferente do método tradicional de programação de softwares, no machine learning o sistema cria suas próprias regras ou respostas, no final do processo, a partir dos dados introduzidos e de sua análise. Assim, após um treinamento inicial, a máquina já será capaz de aprender sozinha e de tornar suas ações autoexecutáveis — conhecidas como algoritmos — ainda mais sofisticadas.

Agricultura

Com o aumento exponencial da população mundial e os desafios impostos por catástrofes naturais, o aperfeiçoamento da ciência do cultivo de alimentos nunca foi tão necessário. 

Dessa forma, uma equipe de cientistas austríacos criou um sistema de Inteligência Artificial, denominado “ARADEEPOPSIS”, que acelera o processo de genotipagem e fenotipagem de diversos tipos de plantas — técnicas já comuns no meio agrícola. 

Em artigo no periódico JSTOR, os pesquisadores concluem que a tecnologia será muito útil para a agricultura de precisão não só por seu custo-benefício, mas pela precisão das análises genética e fenotípica da plantação. 

Com este recurso, é possível determinar o estado do cultivo, suas propriedades nutricionais, estresses hídricos, além de prevenir pragas e até mesmo definir as características desejadas no plantio.

Artes

Nos tempos de mestres da arte, como o pintor Rembrandt van Rijn (1606-1609), a Inteligência Artificial sequer era imaginada ou constava na literatura. Porém, passados mais de quatro séculos do nascimento da obra-prima “A Ronda Noturna” (1642), os algoritmos ajudaram a recuperar partes perdidas da pintura, que foram cortadas para caber na parede da prefeitura de Amsterdã, local para o qual foi transferida em 1710. 

Uma miniatura do quadro, feita pelo pintor Gerrit Lundens antes do original ser recortado, e a tecnologia de ponta chamada Rede Neural Convolucional, capaz de identificar e analisar imagens complexas, ajudaram o cientista holandês Robert Erdmann a recuperar a parte faltante da obra-prima.

Durante a análise preparatória para a restauração, o programa inteligente identificou mais de 10 mil pontos em comum nos traços da cópia e do original e até mesmo a perspectiva lateral em relação ao original pela qual a cópia foi baseada. 

E foi dessa forma que veio o maior desafio da tecnologia: reproduzir os traços de Lunden no mesmo estilo de Rembrandt, de modo que a obra original pareça íntegra. O resultado foi impresso em escala original e acoplado ao quadro no museu holandês Rijksmuseum. 

Mas, ainda que a Inteligência Artificial auxilie na recuperação e restauração de obras de arte, nenhum computador conseguirá replicar a genialidade do artista. “Há algo sobre a forma como os artistas pintam que capta profundamente o que é ser humano, e os computadores nunca vão ser capazes de reproduzir isso”, afirmou Erdmann em entrevista à VEJA.

Segurança Pública

O Metrô de São Paulo anunciou em junho que implantará um circuito de monitoramento eletrônico por meio de câmeras de reconhecimento facial e corporal. O sistema, com previsão de introdução até 2023, terá mais de 5 mil câmeras espalhadas por todas as estações das linhas 1-Azul, 2-Verde, 3-Vermelha e 15-Prata e já opera em cinco estações da linha 3-Vermelha. 

As câmeras serão conectadas a uma central de recursos de inteligência artificial, que farão leitura das imagens e emite sinais de alerta em casos de delitos, invasão nos trilhos, crianças e animais desacompanhados ou perdidos, pessoas desaparecidas e objetos suspeitos abandonados nas estações.

Apesar da ação ter gerado debates intensos acerca da privacidade dos passageiros, o secretário dos Transportes do Estado de São Paulo, Alexandre Baldy, afirma que todo o projeto foi desenvolvido com base na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), sancionada em 2018 e em vigor desde 2020.

Medicina

A Inteligência Artificial tem revolucionado o modus operandi de diversas áreas e a Medicina é uma delas. Um exemplo da aplicação da Inteligência Artificial na área médica e farmacêutica é a solução IBM Micromedex, uma das maiores bases de dados de referência on-line sobre medicamentos e toxicologia. 

Criada em 1974, a Micromedex combina um extenso conteúdo médico baseado em evidências com o sistema de I.A., representado pelo Watson Assistant. Nessa plataforma, as buscas são realizadas apenas com a inserção de perguntas corriqueiras — como as feitas no dia a dia — trazendo rápido retorno e resultados relevantes para auxiliar os profissionais da saúde em suas tomadas de decisão.

Já na medicina prática, a humanidade já pode vivenciar experiências dignas de filmes de ficção científica. No 41º Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp), realizado em junho deste ano, o cardiologista, cientista e professor de medicina molecular norte-americano Eric Topol apresentou novas perspectivas para a “medicina inteligente” aplicáveis à cardiologia. 

Equipamentos digitais como smartwatches (ou relógios digitais inteligentes) podem alertar, por exemplo, sobre a iminência de um problema cardíaco com base nos dados coletados sobre o tipo físico e os exercícios que o usuário pratica ou não. 

O médico ainda chamou atenção para novas funcionalidades das videochamadas, pelas quais já é possível diagnosticar uma fibrilação arterial por meio da câmera do computador a partir dos padrões faciais do paciente, algo extremamente relevante em tempos de consultas digitais em decorrência da pandemia de COVID-19. 

Além disso, há também a aplicabilidade de I.A. em ultrassons, que futuramente poderá realizar exames completos apenas com um scanner acoplado a um smartphone e com possibilidade de compartilhamento imediato das imagens em alta resolução. 

Segundo o cientista, o que se espera da I.A. é a precisão nos diagnósticos e tratamentos. Para esclarecer sobre este ponto, Topol explicou que um especialista terá 50% de chances de identificar o sexo de uma pessoa apenas observando a sua retina. Mas por meio dos algoritmos, a probabilidade de acerto da máquina é de 97%. 

“A inteligência artificial não vai substituir os médicos, mas os médicos que a utilizam vão substituir quem não a usa”, encerra Topol, com uma frase que certamente se aplicará às demais áreas da sociedade.

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