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Por que usar amostras de saliva para detectar o SARS-CoV-2?
  • Artigo
  • Ciências da Saúde, COVID-19
  • 02/09/2020
  • amostradesaliva, SARS-CoV-2, COVID-19, NEJM

O SARS-CoV-2,  vírus causador da COVID-19, tem desafiado médicos e pesquisadores do mundo todo na corrida para aprovar uma vacina eficaz e segura capaz de combatê-lo. Enquanto isso não ocorre, novos métodos de diagnóstico mais rápidos e eficientes vêm sendo estudados pela comunidade científica, devido à importância da testagem da população para frear a transmissão do patógeno. 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a testagem em massa da população é uma das recomendações mais eficazes para rastrear e controlar o avanço do vírus. Essa medida foi adotada por diversos países, como a Coreia do Sul. O país criou estratégias como a realização do exame em postos de drive thru. Dessa forma, as amostras eram coletadas com o paciente no próprio carro e o resultado era enviado por mensagem de texto. 

No entanto, nem todos os países estão preparados para realizar essa testagem em massa. Autoridades de saúde ainda esbarram em algumas barreiras usando o RT- PCR — teste considerado padrão ouro para detectar o vírus — realizado através da análise de amostras nasofaríngeas. 

A logística que será implantada, escassez de cotonetes nasofaríngeos ou “cotonetes NP” a demanda por profissionais de saúde qualificados para realizar o procedimento são alguns desafios enfrentados.

Diante desse cenário, os pesquisadores da Escola de Saúde Pública de Yale, nos Estados Unidos, elaboraram um estudo para analisar o método de diagnóstico da COVID-19 a partir de amostras da saliva. Neste post, você vai entender como funciona essa técnica, o que os estudos preliminares apontam sobre o seu uso e as vantagens deste protocolo.  

Teste de saliva: como funciona?

O teste utiliza o método RT-PCR, que busca fragmentos do vírus nas células do paciente, com base em amostras retiradas da saliva e não dos esfregaços nasofaríngeos. Após a coleta, o material é enviado ao laboratório para análise. Essa técnica laboratorial foi desenvolvida pela Escola de Saúde Pública de Yale e denominada de protocolo SalivaDirect.

No dia 15 de agosto, a instituição recebeu a Autorização de Uso de Emergência (em inglês, Emergency Use Authorization - EUA) da Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos para pesquisa nos laboratórios de diagnósticos do país. Essa nova técnica é capaz de reduzir os custos e minimizar o tempo para obter o resultado. Para verificar o protocolo completo do SalivaDirect, clique aqui.

O Ministério da Saúde Japonês já aprovou o uso de amostras de saliva para detectar o novo coronavírus, no dia 3 de junho. Os testes são realizados em pacientes com sintomas por até nove dias, período que o vírus permanece na saliva dos infectados.  

O que os estudos apontam?

 

• "A saliva é mais sensível para a detecção de SARS-CoV-2 em pacientes com COVID-19 do que esfregaços nasofaríngeos"

O estudo publicado na versão preprint, ainda sem revisão por pares, apresentou a saliva como uma candidata promissora para detectar a COVID-19, por ser uma coleta minimamente invasiva. Para validar essa hipótese, os pesquisadores realizaram testes com amostras de nasofaringe e saliva de pacientes confirmados com a doença e amostras auto-coletadas de profissionais de saúde em enfermarias de COVID-19. Os resultados mostraram que a saliva apresentou maior sensibilidade de detecção e consistência ao longo do curso da infecção. 

"SalivaDirect: teste de diagnóstico molecular simples e sensível para vigilância SARS-CoV-2"

No dia 04 de agosto, o artigo no formato preprint sobre o SalivaDirect foi publicado na MedRvix. O documento descreve todo processo de desenvolvimento e validação deste protocolo, liderado Nathan Grubaugh e Anne Wyllie, professor assistente e cientista de pesquisa associado da Escola de Yale.

Os pesquisadores ao comparar esfregaços nasofaríngeos pareados e amostras de saliva verificaram que os resultados foram satisfatórios, apresentando-se como um opção viável (US $ 1,29 - US $ 4,37 / amostra) e acessível para ajudar nas demandas de testes para SARS-CoV-2. Além disso, apresentou a vantagem de oferecer menor risco de exposição do profissional de saúde. 

O método não exige conservantes de ácido nucleico na coleta de amostra, podendo substituir a extração de ácido nucleico por uma etapa de tratamento térmico e proteinase K simples. 

• "Simplesmente saliva: a estabilidade da detecção de SARS-CoV-2 elimina a necessidade de dispositivos de coleta caros"

O estudo teve como proposta eliminar os tubos com valores elevados para a coleta que outras empresas utilizam para preservar o vírus para diagnóstico. Os pesquisadores identificaram que o patógeno é estável na saliva por períodos prolongados em temperaturas quentes. Por isso, conservantes ou tubos específicos para o armazenamento das amostras não são necessários para coleta de saliva. O que contribui com a teoria de que esse método seja mais barato e mais acessível. 

"Amostras de saliva ou esfregaço nasofaríngeo para detecção de SARS-CoV-2"

A carta ao editor, publicada no periódico The New England of Journal Medicine (NEJM), dia 28 de agosto, relatou que amostras de saliva e as de esfregaço nasofaríngea tiveram a mesma sensibilidade na detecção do RNA (material genético do vírus) do SARS-CoV-2 em pessoas sintomáticas e assintomáticas. Por isso, torna-se mais uma alternativa devido a grande necessidade de realizar a testagem da população e colabora com os estudos anteriores.

Vantagens

Abaixo você encontra as principais vantagens da realização do teste de saliva como uma alternativa promissora para diagnóstico da COVID-19, em comparação com amostras de swab de secreção das narinas. 

• A coleta é minimamente invasiva em relação ao método tradicional, o teste com o swab pode causar incômodo. Por isso, a retirada do material da saliva para análise é mais simples e menos doloroso. 

• Há um menor risco de exposição do profissional de saúde, uma vez que as amostras de saliva podem ser coletadas pelo próprio paciente de forma confiável. Isso significa ainda uma economia importante de material e recursos humanos, uma vez que vários países não conseguem realizar os testes.  

• O protocolo SalivaDirect foi validado com reagentes e instrumentos de diferentes fornecedores. Logo, caso haja falta de algum suprimento, o laboratório pode solicitar de outros fornecedores.

• Os resultados dos estudos revelaram até o momento que a técnica é altamente sensível e produz resultados semelhantes aos do swab NP.  

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