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O que os estudos apontam sobre o uso da cloroquina e a hidroxicloroquina contra a COVID-19?
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  • Dotlib, Saúde Pública, Ciências da Saúde, COVID-19
  • 22/05/2020
  • NEJM, JAMA Network, cloroquina, hidroxicloroquina

O principal desafio da comunidade científica na atual pandemia é encontrar um tratamento seguro e eficaz para combater a COVID-19. Diversas substâncias estão em fase de testes em diferentes países na luta contra um vírus que tem devastado a população. Atualmente, o número de mortos ultrapassa 330.000 no mundo com mais de 5 milhões de casos confirmados.

A cloroquina e o seu análogo hidroxicloroquina, derivados da 4-aminoquinolina, são alguns dos fármacos que vêm sendo estudados como candidatos promissores contra o SARS-CoV-2. Na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) são registrados para tratar da artrite, lúpus eritematoso, doenças fotossensíveis e malária. Assim, têm a segurança e eficácia confirmadas, com indicação clínica bem definida e os efeitos colaterais adversos conhecidos.

Mas o que a ciência aponta até o momento sobre a indicação desses medicamentos como uma alternativa terapêutica aos acometidos pelo novo coronavírus?

Neste post, separamos os principais estudos que investigaram o uso desses fármacos em pacientes infectados pela síndrome respiratória aguda grave e publicados em periódicos renomados na área médica - New England of Medicine (NEJM), Journal of American Medical Association (JAMA Network) e The British Medical Journal (The BMJ). Confira abaixo: 

1. "Efeito de doses altas e baixas de difosfato de cloroquina como terapia adjuvante em pacientes hospitalizados com infecção respiratória aguda por coronavírus 2 (Síndrome respiratória aguda) (SARS-CoV-2)" (JAMA Network Open - 24 de abril de 2020)

“Quão seguros e eficazes são dois regimes diferentes de difosfato de cloroquina no tratamento da doença grave de coronavírus 2019?”.

A pergunta acima foi o objeto de investigação dos pesquisadores deste estudo. Os resultados mostraram que a alta dose de cloroquina (12g), administrada por 10 dias, não é recomendada para pacientes graves com a doença devido aos seus riscos à segurança, principalmente, quando tomado simultaneamente com a azitromicina e oseltamivir. Eles concluíram que nenhum benefício aparente foi evidenciado em relação à letalidade nos pacientes. 

2. "Estudo observacional da hidroxicloroquina em pacientes hospitalizados com Covid-19” (NEJM - 1 de maio de 2020)

A pesquisa foi desenvolvida com a participação de 1.376 pacientes do Hospital Presbiteriano, da Universidade de Columbia, em Nova York. Após as observações, não foram identificados efeitos positivos de forma significativa com o uso da substância no tratamento dos infectados pelo SARS-CoV-2, pois não evitou que eles fossem encaminhados para o respirador ou redução na taxa de mortalidade.

3. "Associação de tratamento com hidroxicloroquina ou azitromicina com mortalidade hospitalar em pacientes com COVID-19 no estado de Nova York" (JAMA Network - 11 de maio de 2020)

Neste estudo, analisaram 1438 pacientes hospitalizados na região metropolitana de Nova York e não foram encontradas diferenças significativas na mortalidade hospitalar entre os enfermos que receberam hidroxicloroquina com ou sem azitromicina quando comparados aqueles aqueles que não receberam nenhum medicamento. 

4. "Eficácia clínica da hidroxicloroquina em pacientes com covid-19" (The BMJ - 14 de maio de 2020)

Os resultados apontaram que o uso em pacientes internados com a doença e que necessitavam de oxigênio, o medicamento parecia não ter efeito na redução de internações para terapia intensiva ou mortes no 21º dia após a internação. A pesquisa foi realizada com 181 pacientes, entre 18 e 80 anos, que estavam com pneumonia por coronavírus e que precisavam de oxigênio, mas não de terapia intensiva.

5. "A hidroxicloroquina não ajudou os pacientes a limpar o vírus mais rapidamente do que o tratamento padrão" (The BMJ - 14 de maio de 2020) 

Em geral, os cientistas não encontraram benefícios adicionais da eliminação do vírus com a administração de hidroxicloroquina ao padrão atual de tratamentos em pacientes com quadro leve a moderada. Além disso, eventos adversos como desconfortos gastrintestinais foram relatados com mais frequência em pacientes que receberam a dose deste medicamento.

Protocolo do Ministério da Saúde

No Brasil, nesta quarta-feira, 20, o Ministério da Saúde ampliou a prescrição dos medicamentos em pacientes de COVID-19 e os incluiu no tratamento em casos mais leves da doença. Anteriormente, eram aplicados apenas em pacientes hospitalizados com quadro grave (Nota técnica).

Pelo novo protocolo, o Sistema Único de Saúde (SUS) fica liberado para receitar as substâncias em qualquer fase, desde os primeiros sintomas até os casos mais graves. No entanto, a sua utilização só é possível por prescrição médica e com autorização do paciente por meio da assinatura de um Termo de Ciência e Consentimento.

O documento com as novas diretrizes apresenta a classificação e os sintomas de cada fase da doença; e as orientações para prescrição dos medicamentos associados a azitromicina. Para os profissionais de saúde, alerta sobre a necessidade de realizar exames complementares antes do uso.

Há ainda uma ressalva quanto a automedicação: “Considerando a necessidade de reforçar que a autoprescrição dos medicamentos aqui orientados pode resultar em prejuízos a saúde e/ou redução da oferta para pessoas com indicação precisa para o seu uso”. Clique aqui para ver o documento na íntegra.

O Conselho Federal de Medicina (CFM) também publicou o Parecer nº 04/2020 que trata sobre a prescrição dessas substâncias. A instituição reforça que na literatura científica ainda não há evidências sólidas para o tratamento ou prevenção do SARS-CoV-2, porém de forma excepcional, estabeleceu critérios para prescrição em três situações específicas.

De acordo com o diretor executivo do Programa de Emergências em Saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS), Michael Ryan, a cloroquina e a hidroxicloroquina podem causar efeitos colaterais e não têm eficácia comprovada contra a infecção. Então, a recomendação é que essas drogas sejam reservadas para uso dentro dos ensaios clínicos.

Segurança e eficácia 

A ciência ainda não tem estudos conclusivos que comprovem os benefícios desses medicamentos para tratar a COVID-19 em pacientes infectados, seus efeitos colaterais ou a sua utilização como forma de prevenção. Embora essas drogas se apresentem como tratamentos em potencial na luta contra o vírus, as pesquisas continuam em curso a fim de gerar segurança e eficácia necessárias para que tenha essa indicação clínica.

Segundo a ANVISA, em regra, para que novas indicações terapêuticas sejam incluídas nas bulas de medicamentos é necessário comprovar a segurança e eficácia através de estudos clínicos com número representativo de participantes. A agência alerta para os efeitos colaterais e é taxativa ao proibir a automedicação. 

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