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COVID-19: impactos da pandemia no Brasil
  • Artigo
  • COVID-19
  • 03/09/2021
  • DotLib, Pandemia, Impactos, COVID-19 no Brasil

Em dezembro de 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recebeu diversos alertas sobre casos de pneumonia atípica que surgiam na cidade de Wuhan, na China. Em janeiro de 2020, as autoridades sanitárias chinesas disseram que se tratava de uma nova cepa do coronavírus, sem histórico de infecção em humanos até então.

Em 30 de janeiro, a OMS classificou a COVID-19 como “emergência de saúde pública de importância internacional”. Oficialmente, o surto só foi decretado como pandemia pela organização em 11 de março do mesmo ano. A esta altura, já era sabido que a doença causada pelo vírus SARS-CoV-2 era altamente transmissível e mais grave que uma gripe comum.

Desde então, o mundo virou de cabeça para baixo e a humanidade se viu forçada a repensar e mudar muitos de seus hábitos. A economia, o mercado de trabalho, a alimentação e a saúde e ensino públicos — pontos que serão tratados a seguir — foram os setores mais afetados no Brasil pelas medidas de contenção do vírus.

Veja, a seguir, os resultados da pandemia de COVID-19 e das medidas sanitárias na sociedade brasileira.

Economia

Impacto do COVID19 na economia brasileira

De todos os setores da sociedade, a economia é, de longe, o mais sensível às mudanças. Das crises regionais às internacionais, a oscilação nas bolsas de valores e nos índices econômicos pelo mundo têm causas multifatoriais, que podem incluir as emergências biológicas.

Não foi diferente com o Brasil durante a pandemia de COVID-19. A necessidade de manter o distanciamento e isolamento sociais influenciaram o Produto Interno Bruto (PIB) de 2020, que caiu 4,1% em comparação com 2019.

As medidas não interferiram efetivamente nos indicadores do primeiro trimestre deste ano, mas atingiram em cheio o segundo trimestre, com queda histórica de 9,7%.

O terceiro trimestre teve uma leve melhora, que foi impulsionada pelo relaxamento das medidas sanitárias, e fechou em 7,7%; com a chegada da segunda onda viral, a economia voltou a desacelerar.

Os setores que tiveram desempenho abaixo da média foram o de consumo das famílias, com queda de 5,5%, consumo do governo (- 4,7%), serviços (- 4,5%) e investimentos (- 0,8%).

Um mapeamento realizado recentemente pela Confederação Nacional de Indústrias (CNI) registrou que a indústria teve queda de produtividade pelo terceiro trimestre seguido.

Entre as causas figuram as dificuldades na obtenção dos insumos e as restrições na demanda da atividade industrial, sendo uma delas a diminuição na mão-de-obra humana para cumprir com o distanciamento social.

A queda econômica dos setores que mais empregam influenciou negativamente a geração de empregos no país, como é possível conferir a seguir.

Mercado de trabalho

Impacto do COVID19 no mercado de trabalho brasileiro

Com a pandemia de COVID-19 não foi diferente. De acordo com o Relatório de Riscos Globais de 2021 do Fórum Econômico Mundial, as micro e pequenas empresas — níveis trabalhistas que mais geram empregos em diversos países — tiveram de optar pelo home-office ou fechar as portas devido a necessidade de confinamento para diminuir a transmissão do coronavírus.

O risco de ser infectado e a necessidade de isolamento social também preocuparam o brasileiro, que viu as chances de ficar desempregado aumentarem. É o que revela o Índice do Medo do Desemprego, também realizado pela CNI e divulgado em janeiro de 2021, que fechou 7 pontos acima da média histórica, com 57,1.

O estudo mostrou que os grupos que ficaram mais preocupados com o desemprego é composto por mulheres, jovens com idade entre 16 e 24 anos, profissionais com baixa escolaridade e moradores de periferias.

Entre homens e mulheres, o público feminino registrou 64,2 pontos no índice de medo de perder o emprego, contra 49,4 pontos do público masculino. A pesquisa ainda traçou um perfil por escolaridade: os entrevistados que mais mostraram vulnerabilidade são os que possuem o ensino médio incompleto (com 59,1 pontos) os que cursaram até a 4ª série do ensino fundamental e os que completaram o fundamental entre a 5ª e a 8ª série (59,2 pontos).

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que o medo do desemprego se tornou um fato para 7,3 milhões de brasileiros em 2020. Os setores que mais desempregaram foram os de comércio, serviços domésticos e alojamento e alimentação.

No último trimestre do mesmo ano, o grupo dos subutilizados — que na pesquisa compreende os desempregados, os que trabalham menos de 40 horas semanais e os que desistiram de procurar emprego por motivos diversos — totalizava cerca de 32 milhões de pessoas. Comparado com 2019, houve um aumento de 13,1%, ou seja, mais 3,6 milhões de pessoas subutilizadas.

Em entrevista ao Portal G1, a analista da pesquisa do IBGE, Adriana Beringuy, detalhou as causas para o aumento de pessoas sem ocupação. “A necessidade de medidas de distanciamento social para o controle da propagação do vírus paralisou temporariamente algumas atividades econômicas, o que também influenciou na decisão das pessoas de procurarem trabalho”, explicou a analista.

O desemprego ou mesmo a diminuição da renda mensal das famílias fizeram com que a alimentação dos brasileiros também fosse prejudicada.

Segurança alimentar

Impacto do COVID19 no mercado de trabalho brasileiro

Em definição estabelecida na década de 90 pela Conferência Mundial da Alimentação (CMA), entende-se que a segurança alimentar ocorre “quando todas as pessoas têm acesso físico, social e econômico permanente a alimentos seguros, nutritivos e em quantidade suficiente”.

No entanto, dados do Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19, desenvolvido pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar (Rede PENSSAN) revelam que o Brasil viveu um pico epidêmico da fome com 19 milhões de pessoas convivendo com a fome.

Os dados revelam que, até três meses antes da pesquisa — realizada em dezembro de 2020 — 55,2% dos domicílios possuíam habitantes que conviviam com a insegurança alimentar. No período abrangido pela pesquisa e em números absolutos, 116,8 milhões de brasileiros não tinham acesso pleno e permanente a alimentos.

Dessa porcentagem, 20,5% da população não possuía alimentos em quantidade suficiente e 9% sofriam com a fome. As regiões do país mais afetadas foram o Norte, com 60% das pessoas em insegurança alimentar, e o Nordeste, com 70. O estudo foi realizado em 2.180 domicílios nas cinco regiões do país, em áreas urbanas e rurais.

Saúde

Impacto do COVID19 na saúde pública brasileira

De acordo com dados do Ministério da Saúde, o ano de 2020 fechou com a triste marca de 194.949 brasileiros mortos em decorrência da pandemia de COVID-19. Até o início de setembro de 2021, foram registrados 387.055 óbitos.

O salto nos números no ano corrente pode ser explicado pelo surgimento de variantes mais transmissíveis, como a Delta, identificada pela primeira vez na Índia. No entanto, o Brasil também teve uma variante para chamar de sua.

A variante brasileira foi diagnosticada pela primeira vez em quatro passageiros que regressaram ao Japão após uma viagem pelo estado do Amazonas. A testagem feita no aeroporto de Tóquio mostrou que o vírus encontrado nos viajantes se tratava de uma variante com 12 mutações.

Descendente da linhagem B.1.1.28 — que já estava em circulação no Brasil — a variante P.1 foi encontrada em 13 das 31 amostras colhidas dos testes de COVID-19 realizados em pacientes de Manaus no período de 13 a 23 de dezembro de 2020. Porém, a nova variante não foi detectada em 26 análises genômicas entre março e novembro do mesmo ano.

Os resultados destes testes indicaram que a P.1 — também denominada “Gama” — seria a responsável pelo aumento nos casos de internações e óbitos, que levaram o sistema de saúde do estado amazonense ao colapso. A variante se espalhou rapidamente por vários estados, incluindo Ceará, Maranhão, Espírito Santo, Pará, Paraíba, Piauí, Rio de Janeiro, Roraima, Santa Catarina e São Paulo.

A variante Gama é considerada duas vezes mais resistente às vacinas do que a versão comum do SARS-CoV-2. Um estudo publicado no British Medical Journal (BMJ) sugere que a efetividade do imunizante Coronavac — da farmacêutica chinesa Sinovac e produzida no Brasil pelo Instituto Butantan — reduz em apenas 18,5% a chance de hospitalização para idosos com a 1ª dose; com a 2ª aplicação, a proteção aumenta em até 59%.

A vacina da AstraZeneca apresentou melhor potencial de proteção, com 55,1% de eficácia na 1ª dose e 87,6% na 2ª aplicação em pessoas acima de 70 anos. Os dados de ambos os imunizantes não são comparáveis, pois a pesquisa compreende faixas etárias diferentes para cada vacina.

Por outro lado, um estudo publicado em março de 2021 no periódico New England Journal of Medicine (NEJM) mostrou que a vacina produzida pela Pfizer/BioNTech foi muito forte e quase igual à resposta imune ao vírus comum.

Ensino público

Impacto do COVID19 na saúde pública brasileira

Ainda que esteja listado como o último item deste artigo, este pode ser considerado o mais importante de todos, uma vez que é pelo ensino de qualidade que é possível ter acesso a todas as outras áreas acima citadas.

Como exposto nos itens anteriores, a pandemia de COVID-19 e suas respectivas medidas sanitárias para contenção do vírus agravaram as desigualdades sociais. O mesmo ocorreu com o ensino acadêmico, do ensino básico ao superior.

Foram diversos os problemas gerados pela pandemia de COVID-19 no ensino público e elencá-los não é uma tarefa fácil, tratando-se de um país de dimensões continentais e muitas desigualdades sociais como o Brasil.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) realizou a pesquisa "Crianças fora das escolas no Brasil" (título traduzido do inglês) na qual revelou que a estimativa de crianças e adolescentes fora das escolas era de 1,1 milhão ainda em 2019.

Nessa época, o perfil infanto-juvenil mais afetado era o de meninos, afrodescendentes e indígenas, dos 4 aos 5 anos e dos 15 aos 17 anos, a maioria concentrada nas regiões nordeste e sudeste; nas áreas rurais, as meninas foram as mais prejudicadas.

Com a chegada da pandemia e a necessidade do distanciamento e isolamento sociais, o número absoluto de crianças e adolescentes sem acesso a escola ou atividades escolares era de 5.075.294, no fim de novembro de 2020, próximo ao fechamento do ano letivo.

Desses, 32,4% têm entre 15 e 17 anos, a maioria vem das áreas rurais nas regiões Norte e Nordeste. Os meninos afrodescendentes e indígenas novamente figuram entre os mais afastados dos estudos.

A pandemia fez com que muitas das atividades realizadas presencialmente fossem feitas à distância e, em alguns casos, por vias digitais. Esse cenário acabou por revelar outros problemas relacionados à infraestrutura educacional, como as limitações do acesso à internet.

Segundo a mesma pesquisa, 49.7% das escolas municipais pelo Brasil reportaram dificuldades em garantir o acesso à rede mundial de computadores aos seus alunos; 24,1% estavam com problemas para garantir esse acesso aos professores.

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