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Delta: um perfil da nova variante do COVID-19
  • Artigo
  • COVID-19
  • 20/08/2021
  • DotLib, COVID-19, Variante Delta

É incrível e ao mesmo tempo assustador como um organismo simples e de estatura microscópica consegue virar o mundo de cabeça para baixo, causando mudanças sociais, políticas, econômicas e culturais tão drásticas e de enormes proporções.

É o que a COVID-19, popularmente conhecida como coronavírus — e cientificamente como SARS-CoV-2, sigla em inglês para coronavírus da síndrome respiratória aguda grave 2 — tem feito desde o início de 2020.

Neste artigo, a DotLib trará um perfil da variante Delta, que já é considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como “variante de preocupação”.

Origem

Passados quase dois anos do início da pandemia de COVID-19, pouco se sabe sobre a origem exata do SARS-CoV-2, vírus causador da doença e que já possui diversas variantes.

O primeiro registro médico e oficial de um humano infectado por esse vírus ocorreu na China, em dezembro de 2019. Pouco tempo depois, a província de Wuhan se tornou o epicentro da pandemia, que iniciou com um surto de 50 pessoas infectadas.

A maioria delas havia frequentado um mercado que comercializa frutos do mar, e alguns animais silvestres, frequentemente vendidos vivos ou abatidos no local, geralmente de higiene precária. Desde então, suspeita-se que esse mercado seja a origem da transmissão e contaminação por SARS-CoV-2, que se espalhou rapidamente pelo mundo.

A variante Delta — cientificamente denominada como B.1.617.2 — é uma mutação desse vírus. Conforme artigo do JAMA Network, a Delta foi identificada pela primeira vez em outubro de 2020, na Índia, onde se tornou prevalente enquanto o país enfrentava o auge da segunda onda.

Em maio de 2021, a Organização Mundial de Saúde (OMS) mudou a classificação da cepa de “Variante de Interesse” (VOI, na sigla em inglês) para “Variante de Preocupação” (VOC) por alto grau de transmissibilidade.

Características

Mutações são muito comuns nos vírus e a maioria delas não causa sérios danos à saúde humana. Porém, as chances de que uma mutação gere um vírus com certo grau de periculosidade dependerá de diversos fatores para além dos biológicos e da genética viral.

No caso da Índia, as condições sociais e econômicas do país influenciaram na mutação do SARS-CoV-2 para a variante Delta, uma vez que ele circulou e se espalhou muito rapidamente, cenário que contribui para que mutações ocorram em velocidade acima da média.

A Delta é uma das três variantes que possuem 13 mutações nos aminoácidos, sendo três em sua proteína de pico, que são especialmente preocupantes: D950N, P681R e L452R.

Esta última, encontrada nas variantes Epsilon e Kappa, é responsável por afetar a região do domínio de ligação ao receptor, fazendo com que os anticorpos tenham redução de 2 a 3,5 vezes na sua capacidade de neutralização da replicação viral.

Já a mutação P681R, também encontrada nas variantes Alfa e Kappa, é responsável por produzir cargas virais mais altas que as encontradas em variações que não a possuem. 

Isso significa que pessoas infectadas com a Delta têm mil vezes mais vírus no trato respiratório, o que as torna mais propensas a transmitir o SARS-CoV-2 com maior facilidade por meio da tosse, do espirro ou enquanto falam.

A mutação sequestra uma parte do genoma chamada de local de clivagem da furina — uma enzima produzida naturalmente pelo organismo humano — e a utiliza para adaptar a proteína spike, de modo que facilite o processo de penetração e infecção das células.

Cientistas consideram a hipótese de que a afinidade da variante Delta com a furina humana foi crucial para que o vírus fosse transmitido entre animais de diferentes espécies e de animais para humanos.

Dadas as características peculiares da variante Delta, testes foram realizados recentemente nos Estados Unidos, Reino Unido e Cingapura. Os resultados indicam que as pessoas vacinadas que são infectadas com a variante indiana podem carregar tanto vírus no nariz quanto as pessoas não vacinadas.

Isso significa que apesar da proteção oferecida pelas vacinas, uma proporção de pessoas vacinadas pode carregar e transmitir a Delta, possivelmente auxiliando no aumento de circulação e transmissão.

Sintomas

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, explicou que a variante Delta será a predominante no mundo muito em breve.

Ao se espalhar por mais de 104 países, a nova cepa mostrou que pode ser mais contagiosa que a catapora, como afirmou recentemente o Centro de Controle de Doenças (CDC) dos Estados Unidos.

Além da alta capacidade de transmissão — de 40% a 60% mais contagiosa que a variante Alfa, segundo relatório emitido pelo governo britânico — a Delta possui sintomas característicos de uma gripe comum, tais como dores de cabeça e na garganta, febre e coriza. 

Diferentemente das cepas anteriores, esta não apresenta tosse ou inibição do paladar e olfato.

Delta Plus

Pertencente à variante Delta, a cepa tem como segundo nome a palavra “Plus” (do inglês, “mais”) e o motivo é simples: ela possui uma mutação a mais na proteína spike, o que facilita sua entrada nas células saudáveis e reduz a resposta dos anticorpos.

Recentemente, pesquisadores norte-americanos descobriram que a variante Delta Plus tem 20% mais mutações de alta prevalência comparada com a variante Delta. Das transformações identificadas na proteína spike, três estavam presentes exclusivamente na variante Delta Plus: K417N, V70F e W258L.

Além das mutações citadas, ainda não há informações consistentes sobre a Delta Plus (também denominada B.1.617.2.1 ou AY.1), que já foi identificada no Reino Unido, Portugal, Estados Unidos, Suíça, Polônia, Japão, Nepal, China e Rússia. Até o momento, não há registros da nova cepa no Brasil.

Cenário no Brasil

Os primeiros casos da variante Delta no Brasil surgiram em julho no Distrito Federal e em São Paulo; à época, suspeitava-se que a realização da Copa América teria facilitado a entrada da nova variante no país.

Em boletim divulgado no dia 26 do mesmo mês pelo Ministério da Saúde, o Brasil já registrava 169 casos e 13 óbitos relacionados à variante Delta. Já em agosto, a pasta pública compilou dados de cada estado: conforme publicação da Revista Exame, até o dia 18 de agosto, havia 1.051 casos confirmados de COVID-19 relacionados à variante indiana.

Comparado com balanço divulgado no dia 10 do mesmo mês, no qual havia 570 diagnósticos positivos, houve um aumento de 84% de registros em pouco mais de uma semana.

O estado com o maior número de resultados positivos para a variante indiana é o Rio de Janeiro, com 431 casos. Também há confirmações para a Delta nos seguintes estados: Alagoas (2), Ceará (16), Distrito Federal (87), Espírito Santo (7), Goiás (14), Maranhão (7), Mato Grosso (12), Minas Gerais (20), Pará (3), Paraná (56), Pernambuco (7), Rio Grande do Sul (119), Santa Catarina (38), São Paulo (231) e Tocantins (1).

Até o momento do fechamento deste artigo, 41 brasileiros vieram à óbito pela Delta, com 19 vítimas no Paraná, seguido por: Rio Grande do Sul (8), Rio de Janeiro (7), Goiás (1), Maranhão (1), Pernambuco (1), Minas Gerais (1) e Santa Catarina (1) e Distrito Federal, com duas vítimas.

Segundo o Ministério da Saúde, os dados compilados pela pasta federal são fornecidos pelas secretarias estaduais de saúde e atualizados conforme notificações diárias de cada estado.

Estudos

Veja, a seguir, alguns dos estudos publicados recentemente nos principais periódicos científicos do mundo sobre a variante Delta do SARS-CoV-2. Ambos focam na vacinação como aliada para evitar que a COVID-19 desenvolva seu quadro mais grave.

NEJM

Publicado no jornal científico New England Journal of Medicine (NEJM), estudo aponta que as vacinas da AstraZeneca e Pfizer/BioNTech têm maior eficácia contra a variante Delta (também conhecida como B.1.617.2) após a segunda dose.

Por outro lado, apenas uma dose dessas mesmas vacinas pode ter menor eficácia. Ambos os imunizantes mostraram diferenças consideradas “modestas” de eficácia contra as duas variantes.

Os pesquisadores afirmaram que duas aplicações da vacina BNT162b2, da Pfizer/BioNTech, foram 93,7% eficazes entre as pessoas com a variante Alfa e 88% entre os que estavam com a Delta.

Já com a vacina ChAdOx1 nCoV-19, da AstraZeneca, a eficácia de duas doses foi de 74,5% entre os que estavam com a cepa Alfa e 67% entre aquelas com a Delta.

Para ler o artigo completo, clique aqui.

JAMA

Pesquisadores da Universidade de Tel Aviv, em Israel, observaram que as vacinas de mRNA diminuem consideravelmente o risco de infecção por SARS-CoV-2 em mulheres grávidas.

O imunizante aplicado foi o BNT162b2, produzido pelas farmacêuticas Pfizer e BioNTech e eficaz contra a variante Delta. O estudo, realizado com mais de 15 mil gestantes, foi publicado no Journal of The American Medical Association (JAMA).

Durante os testes, dois grupos foram formados: 7530 mulheres vacinadas e 7530 mulheres não vacinadas, todas gestantes entre o quarto e nono mês, e com idade média de 31 anos. Houve 118 infecções por SARS-CoV-2 no grupo vacinado e 202 no grupo não vacinado.

Entre as mulheres infectadas, 88 de 105 (83,8%) eram sintomáticas no grupo vacinado contra 149 de 179 (83,2%) no grupo não vacinado. Os riscos de infecção foram de 0,33% contra 1,64% nos grupos vacinados e não vacinados, respectivamente.

Para ler o artigo completo, clique aqui.

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