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Coronavírus: confira as 5 vacinas em última fase de testes no Brasil
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  • Dotlib, Ciências da Saúde, COVID-19
  • 19/08/2020
  • coronavírus, vacinas, terceira fase

Combater o novo coronavírus e garantir a segurança da população são os dois desafios que os pesquisadores em diversas partes do mundo estão buscando conciliar na corrida por uma vacina contra o patógeno. A resposta de quando teremos um imunizante eficaz e seguro ainda é incerta, mas os estudos para frear o SARS-CoV-2 continuam em ritmo acelerado. 

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), atualmente, há 167 estudos de imunização contra a doença sendo testados no mundo. No entanto, o processo de produção de uma vacina pode demorar anos. Até que seja comprovada a sua eficácia e aprovada a sua comercialização, o imunizante  precisa passar por três etapas de ensaios clínicos (Fase I, Fase III e Fase III). 

Na primeira fase, é analisada a segurança e os possíveis efeitos colaterais em um número pequeno de voluntários. Na segunda, aumenta-se o número de pessoas e inicia-se a avaliação da resposta imunológica induzida pela substância. Na terceira fase, os cientistas verificam se a resposta imune gerada pela vacina é eficaz em humanos e por quanto tempo pode durar essa proteção. 

A expectativa é que uma imunização contra a COVID-19 fique pronta em 2021. Se isso acontecer, será a vacina mais rápida da história. Até hoje, a vacina contra a caxumba, criada pelo médico Maurice Hilleman, foi a que demorou menos tempo para ser desenvolvida — em 4 anos. Os ensaios clínicos iniciaram nos anos de 1960 e foi licenciada em dezembro de 1967.

Neste post, vamos apresentar as 5 vacinas que estão na terceira fase de testes no Brasil. Além de uma explicação de como funciona cada uma delas, sua origem e como está atualmente a sua situação. 

1 - Vacina de Oxford (Reino Unido)



Nome:
ChAdOx1 nCoV-19


Origem: desenvolvida pela Universidade do Reino Unido, em colaboração com a empresa biofarmacêutica AstraZeneca.

Como funciona: essa candidata usa a tecnologia de vetor viral, não replicante. Nela, os cientistas transferem a proteína S (espícula) do patógeno, que ajuda o coronavírus invadir as células, para uma versão mais fraca de um adenovírus — um grupo de vírus que geralmente causa doenças respiratórias, como um resfriado comum. Ao ser injetado em humanos, em uma única dose, a expectativa é que a proteína S ative uma resposta do sistema imunológico.

Situação: a vacina de Oxford é um dos imunizantes mais avançados no mundo. Nas duas primeiras fases de teste realizados na Inglaterra, os resultados preliminares apontaram que a vacina desenvolveu uma forte resposta imune, aumentando de forma significativa os anticorpos e respostas dos linfócitos T, além de não ter apresentado efeitos colaterais graves.

O imunizante foi o primeiro programa de testes a ser autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) em território brasileiro, no dia 02 de junho. Atualmente, está na terceira fase dos ensaios clínicos, com o objetivo de recrutar até 50 mil voluntários no Brasil, Reino Unido, Estados Unidos e África do Sul. 

2 - Sinovac (China)

Nome: CoronaVac

Origem: a vacina é de origem chinesa, sendo produzida pela empresa Sinovac Biotech. 

Como funciona: é desenvolvida a partir do vírus inativado do novo coronavírus, ou seja, é utilizada uma versão não infecciosa do SARS-CoV-2. Em seu processo de produção, é adicionada uma substância chamada adjuvante aos vírus inativados, que em seguida são purificados para formular a vacina. Se comprovada a sua eficácia, com a aplicação de duas doses seriam suficientes para induzir o sistema imunológico a produzir anticorpos contra o vírus.

Situação: o governo de São Paulo, no dia 11 de junho, anunciou a parceria entre o Instituto Butantan e a farmacêutica Sinovac Life Science para testes clínicos e produção no país. No dia 3 de julho, a ANVISA autorizou os ensaios clínicos na fase III, com a participação de 9 mil voluntários.

Para acompanhar o andamento da CoronaVac, clique aqui.

3 - Pfizer/BioNTech (Estados Unidos/Alemanha) 



Nome:
BNT162b2

Origem: parceria entre a empresa farmacêutica Pfizer, dos Estados Unidos, e a empresa alemã de biotecnologia BioNTech.

Como funciona: é baseada em um material genético chamado de RNA mensageiro, que carrega as instruções para as células produzirem proteínas. Ao ser injetada em humanos, a vacina poderia “informar” às células como gerar a proteína de pico do coronavírus e, assim, estimular o sistema imunológico para produzir anticorpos para combater a infecção. Essa tecnologia pode ser mais rápida e mais estável do que as vacinas que usam cepas de vírus enfraquecidos.

Situação: o estudo publicado na plataforma de preprint MedRxiv  —  ainda sem revisão por pares  — mostrou que os efeitos colaterais foram leves e que todos que receberam a substância desenvolveram anticorpos contra o SARS-CoV-2. Em 21 de julho, a ANVISA autorizou os testes clínicos no Brasil, na terceira fase, e o intuito é que 30 mil pessoas recebam a dose da vacina. 

4 - Johnson & Johnson (Estados Unidos)

Nome: Ad26.COV2.S

Origem: unidade farmacêutica, Janssen Pharmaceuticals, da Johnson & Johnson.

Como funciona: é formada por um vetor recombinante, não replicante, de adenovírus sorotipo 26 (Ad26) para codificar a proteína S (Spike) do novo coronavírus.

Situação: Nesta terça-feira, dia 18 de agosto, a agência reguladora publicou no Diário Oficial da União (DOU) a autorização para os testes clínicos no Brasil. A previsão é que 7 mil voluntários recebam a dose em 10 centros de pesquisa, localizados em sete estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Bahia e Paraná. No entanto, o estudo global, prevê a inclusão de até 60 mil voluntários. 

5 - Sinopharm (China)



Nome:
nenhum

Origem: empresa chinesa Sinopharm (Grupo Farmacêutico Nacional da China).

Como funciona: a Sinopharm também utiliza uma vacina com vírus inativado e a previsão é de que ela esteja disponível para comercialização até o final de 2020. O estudo publicado no periódico científico Journal of the American Medical Association (JAMA), mostrou que a vacina conseguiu ativar os anticorpos neutralizantes nos participantes e não causou efeitos colaterais graves. A pesquisa contou com a participação de 320 voluntários entre 18 a 59 anos, nas fases 1 e 2 dos ensaios clínicos. 

Situação: a substância está sendo testadas nos Emirados Árabes, em 15 mil voluntários, e será fornecida ao Paquistão. No Brasil, o governo do Paraná assinou no final de julho um acordo com a empresa chinesa para iniciar os testes e a produção de vacina no estado, através do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar). No dia 14 de agosto, o governo da Bahia firmou uma parceria também com a Sinopharm. Porém, sem autorização da ANVISA para o início dos testes.

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