Unidades que promovem a conexão e a colaboração entre os membros da equipe de cuidados intensivos podem incentivar comportamentos que levam a pausas. (imagem: gorodenkoff / iStock)
American Association of Critical-Care Nurses: Repensando o Ambiente de Terapia Intensiva
A escassez de profissionais e o burnout na enfermagem são desafios globais, exacerbados pela pandemia. Em unidades de terapia intensiva (UTI), onde o trabalho é complexo e dinâmico, o ambiente físico desempenha um papel fundamental. Historicamente, as UTIs evoluíram de grandes enfermarias abertas (estilo Nightingale) para quartos privativos, visando o controle de infecções e privacidade. No entanto, essa descentralização criou longos corredores que podem isolar a equipe e dificultar a visibilidade.
Um novo estudo publicado no American Journal of Critical Care, periódico da nossa editora American Association of Critical-Care Nurses, investigou a relação entre o layout da unidade, a visibilidade, o trabalho em equipe e o comportamento de fazer pausas (descansos) entre enfermeiros de cuidados críticos.
Design vs. Cultura de Equipe
As pesquisadoras Yolanda Keys e Ellen Taylor realizaram uma pesquisa nacional nos EUA, onde enfermeiros identificaram o layout de suas unidades (aberto, fechado ou em "pod") e responderam sobre a dinâmica de trabalho.
Os resultados foram surpreendentes: embora barreiras físicas como paredes e colunas tenham sido citadas como obstáculos à visibilidade, o estudo não encontrou uma relação estatisticamente significativa direta entre o tipo de layout da unidade e a qualidade do trabalho em equipe ou a frequência de pausas.
A Importância da Confiança
A descoberta mais importante foi comportamental: houve uma associação significativa entre enfermeiros que percebiam níveis mais altos de trabalho em equipe e uma maior probabilidade de fazerem pausas para refeições e descansos.
Especificamente, as subescalas de liderança e confiança mostraram forte correlação. Isso sugere que, para um enfermeiro se sentir seguro para deixar o posto e descansar, ele precisa confiar que seus colegas darão o suporte necessário e que a liderança apoia essa prática.
Conclusão
Embora o design "híbrido" (com espaços centrais e descentralizados) seja frequentemente recomendado para facilitar a colaboração, este estudo reforça que a cultura da unidade é determinante. Para combater o esgotamento profissional, os gestores devem focar não apenas na arquitetura, mas em construir equipes coesas onde o autocuidado é validado pelo grupo.
Para ler a análise completa sobre as barreiras físicas e as implicações para o design hospitalar, acesse o artigo original.
Sobre a American Association of Critical-Care Nurses (AACN)
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