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A história por trás da vacina: varíola
  • Artigo
  • Saúde Pública, Ciências da Saúde
  • 16/12/2020
  • Vacina, varíola, imunologia

A partir de hoje, iniciaremos uma série de posts que será chamada: “A história por trás da vacina”. Trata-se de artigos com a proposta de apresentar os principais fatores impulsionadores para o desenvolvimento de imunizantes que revolucionaram as formas de prevenção de doenças infecciosas, que antes extinguiram ou mutilaram grande parcela da população mundial. 

Atualmente, é comum vacinarmos as crianças logo nos primeiros dias de vida, iniciando a imunização nas maternidades e hospitais e seguindo um esquema vacinal determinado pelos órgãos responsáveis. Mas nem sempre foi dessa forma, antes de 1800 não existiam campanhas ou métodos de vacinação. A palavra “vacina” sequer existia. Uma doença em particular assolava os 4 continentes, a varíola, até que o médico inglês Edward Jenner transformou a saúde pública de todo o mundo. 

Neste post vamos abordar a origem e os sintomas da varíola, o primeiro imunizante que se tem registro no mundo. Além de contar a história do médico britânico Edward Jenner — responsável por cunhar o termo “vacina” e refinar o processo de vacinação que conhecemos. Também a ele, devemos a quase extinção de uma doença.

Origem

Não se sabe ao certo o local de origem da varíola, alguns dizem ser do continente africano e outros dizem ter vindo da Índia. Porém, há sinais de cicatrizes da doença em múmias egípcias e relatos sobre epidemias dentre a civilização greco-romana narradas por Tucídides, informando que um terço da população de Atenas foi dizimada pela moléstia em 430 A.D. Trata-se, então, de uma doença muito antiga. 

Misteriosamente, aqueles que sobreviviam aos surtos não eram afetados pela doença novamente, fazendo com que após grandes epidemias a doença ficasse sem aparecer até que uma população intocada entrasse em contato com o, então desconhecido, Orthopoxvírus variolae.

Sintomas

Seus sintomas são semelhantes a uma gripe, com período de incubação de cerca de 12 dias, evoluindo para um quadro mais grave com febre, dores musculares, mal-estar, náuseas e vômitos. A infecção se dá a partir do trato respiratório onde o vírus se multiplica e espalha pelo sistema linfático, caindo na corrente sanguínea, se alastrando por todo o corpo e afetando a pele ao causar lesões características (vesículas) que deixam muitas cicatrizes por todo o corpo. 

A doença tem uma taxa de letalidade de 30%, sendo ainda mais alta em bebês, e não há cura ou tratamento. A vacinação seria, nesse caso, a única medida eficaz para enfrentar a epidemia.

Variolação

Muitos métodos foram usados por diversos povos para tentar produzir anticorpos contra a doença que assolava populações. Os habitantes da África e China por exemplo tinham como costume por volta do ano 1000 deixar as cascas das feridas secando ao sol (a radiação ultravioleta é uma forma eficiente de matar o vírus, ainda que isso não fosse conhecido na época). As cascas secas eram transformadas em pó e inaladas pelas pessoas.   

Esse e outros processos envolvendo a exposição direta à doença para fins de imunidade foram  chamados de variolação. O que nem sempre funcionava e muitas vezes a pessoa desenvolvia a doença normal. 

No início do século XVIII, era comum na China e no Oriente Médio inocular o vírus vivo em crianças. Essa prática foi importada para a Europa, mais especificamente no Reino Unido, que consistia em coletar através de uma seringa o líquido infectado e injetar em uma outra pessoa. Essa medida reduziu as mortes para 1%, e a possibilidade de infecção por via aérea em 40%. Era o início do pensamento que levaria ao processo de imunização.

A estátua do médico Edward Jenner fica situada em jardins de Kensington, Westminster, em Londres. (Fonte: iStock)

Ainda em meados do século XVIII a varíola matava aproximadamente 400 mil pessoas por ano. O médico inglês Edward Jenner percebeu que as moças ordenhadeiras de vacas não tinham o rosto marcado pela doença e decidiu investigar o porquê. Ele percebeu que elas entravam em contato com o vírus da varíola bovina no momento da ordenha e desenvolviam uma forma branda da doença que só afetava suas mãos. As vacas forneceram também inspiração para a definição de “vacina” já que deriva do latim vacca. Jenner coletou as feridas de uma das ordenhadeiras e inoculou em um menino de 8 anos — atitude repreensível nos dias atuais. 

Após algumas semanas, quando expôs o menino ao vírus da varíola humana, observou que ele não desenvolveu sintomas. E foi assim que o processo de exposição ao vírus atenuado para fabricação de imunizantes se iniciou, processo que é utilizado até hoje. 

Erradicação 

A varíola é considerada como a única doença humana erradicada do mundo. O último caso de varíola que foi a óbito ocorreu em 1978, no Reino Unido. E o sucesso da erradicação se deve aos esforços mundiais por dois séculos para vacinar toda a população. 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera a varíola como uma das doenças mais assoladoras da história, tendo causado milhões de mortes ao longo dos séculos.

Seu uso no passado como arma biológica (povos indígenas foram dizimados pela exposição  do vírus advindo dos colonizadores) ainda assombra o imaginário de todos. Após uma convenção determinou-se manter amostras do vírus nos Estados Unidos e na Rússia, caso haja necessidade de produzir mais vacinas. 

New England Journal of Medicine (NEJM)

O New England Journal of Medicine (NEJM) é um dos mais renomados periódicos médicos, publica pesquisa de alta qualidade revisada por pares, continuamente por mais de 200 anos. Lá você encontra artigos sobre a varíola e outros conteúdos clínicos interativos para médicos, pesquisadores e a comunidade médica global. 

A NEJM Group é uma editora parceira da Dot.Lib, onde você encontra conteúdo científico de ponta.

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Referências:

HÁ 40 ANOS, A VARÍOLA ERA ERRADICADA DO PLANETA.

Wikipedia varíola

Varíola, uma das maiores pandemias da história

Drauzio Varella - O fantasma da varíola | Artigo.

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