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Saiba o que é a doença, como ela se manifesta nos enfermeiros e como preveni-la (Imagem: iStock). Saiba o que é a doença, como ela se manifesta nos enfermeiros e como preveni-la (Imagem: iStock).
Síndrome de Burnout na Enfermagem
  • Artigo
  • Ciências da Saúde
  • 10/12/2021
  • Enfermagem, Saúde Mental, DotLib, Enfermeiros, Burnout

Dentre os profissionais da saúde e até mesmo dentre outras profissões, a enfermagem é uma das profissões mais atarefadas e desgastantes. Garantir o bem-estar e a eficácia do tratamento do paciente, fazer a correta administração dos medicamentos, ser o elo entre o paciente e sua família, médicos e farmacêuticos, fazer o possível com poucos equipamentos e recursos, longos turnos com horas extras...

Essa rotina estressante cobra um preço muito alto dos enfermeiros que, em detrimento aos cuidados com a saúde dos pacientes e a rotina hospitalar, acabam por negligenciar a própria saúde mental. Durante a COVID-19, esse cenário se agravou, uma vez que os enfermeiros estavam e continuam na linha de frente no combate à doença causada pelo SARS-CoV-2.

De acordo com o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), o Brasil conta com 2.587.979 enfermeiros entre graduados, técnicos ou auxiliares. No entanto, o portal Tua Carreira, especializado em mercado de trabalho, colocou a Enfermagem no top 20 das carreiras mais estressantes do mundo. O excesso de estresse na atividade laboral pode levar a uma condição denominada Síndrome de Burnout.

O que é a Síndrome de Burnout

Enfermeira estressada sentada no chão

Em tradução livre, a palavra de origem inglesa significa “combustão completa” ou “esgotamento”. As duas definições estão corretas uma vez que o Burnout é uma síndrome consequente do esgotamento físico e/ou mental após longos períodos de trabalho e estresse, que pode (ou não) resultar em um surto de raiva.

Para se ter uma ideia da gravidade, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alterou o significado da Síndrome de Burnout: no Código Internacional de Doenças 10 (CID.10) a doença era tida como um problema na saúde mental e um quadro psiquiátrico; no CID.11, que entrará em vigor em janeiro de 2022, a doença passa a ser descrita como “estresse crônico de trabalho que não foi administrado com sucesso”.

Entre os sintomas físicos estão: dor de cabeça frequente, dores musculares, cansaço e fraqueza, problemas gastrointestinais, e batimentos cardíacos irregulares. Já entre os sintomas cognitivos e psicológicos estão: dificuldade de concentração; sentimentos constantes de fracasso, insegurança e incompetência; alterações repentinas de humor e isolamento.

Demais sintomas compreendem alterações ou falta de apetite, insônia, e falta de esperança ou perspectiva de futuro. Familiares e amigos podem ser grandes aliados no combate à síndrome e devem ficar atentos caso a pessoa manifeste muitos dos sintomas e expresse-os em frases como “não aguento mais” ou “quero sumir”.

O diagnóstico é feito por um psiquiatra mas um psicólogo também pode ajudar na identificação da doença. O tratamento geralmente é feito com psicoterapia e, em alguns casos, com a prescrição de medicamentos antidepressivos e ansiolíticos.

Estudo de caso

Logo da American Association of Critical Care Nurses

A seguir, veja um estudo realizado em hospitais dos Estados Unidos entre 2013 e 2017 e originalmente publicado no American Journal of Critical-Care, um periódico da American Association of Critical-Care Nurses.

Cenário

Enfermeiros com atuação em unidades de terapia intensiva (UTI) têm uma taxa de burnout entre as mais altas de qualquer campo da enfermagem. O esgotamento desses profissionais pode afetar a qualidade do relacionamento com médicos, farmacêuticos e pacientes. Poucos estudos consideraram como os padrões temporais podem influenciar os resultados.

Objetivo

Testar um modelo longitudinal de grupos de burnout e associações com resultados de pacientes e médicos.

Métodos

Um estudo observacional analisou dados de pesquisas anuais com funcionários e dados administrativos sobre os resultados clínicos de pacientes em 111 unidades de terapia intensiva da Veterans Health Administration (Estados Unidos) de 2013 a 2017.

As taxas de esgotamento a nível local de enfermeiros de cuidados intensivos foram calculadas a partir de respostas de uma pesquisa sobre exaustão emocional e despersonalização.

Uma análise da trajetória latente foi aplicada para identificar grupos de instalações com padrões de esgotamento semelhantes ao longo de 5 anos. Uma análise de regressão foi usada para analisar os resultados dos pacientes e funcionários por grupo de burnout e medidas de contexto organizacional.

Resultados de interesse incluíram resultados de pacientes (taxa de mortalidade padronizada de 30 dias e tempo de internação menor que o esperado) de 2016 a 2017 e resultados clínicos (intenção de deixar e satisfação do funcionário) de 2013 a 2017.

Resultados

Uma análise longitudinal revelou 3 grupos de burnout entre os 111 locais: burnout baixo (n = 37), médio (n = 68) e alto (n = 6). Em comparação com as unidades no grupo de baixo desgaste, as do grupo de alto burnout têm estadias mais longas de pacientes, maior intenção de rotatividade de funcionários e menor satisfação dos funcionários em modelos bivariados, mas não em modelos multivariados.

Conclusões

Neste estudo em locais variados e em vários anos, o esgotamento dos enfermeiros de cuidados intensivos foi associado aos resultados clínicos e de pacientes. Os esforços para lidar com o esgotamento entre os enfermeiros podem melhorar os resultados dos pacientes e funcionários.

Leia o estudo na íntegra: “Critical-Care Nurse Burnout in Veterans Health Administration: Relation to Clinician and Patient Outcomes”.

Dicas para cuidar da saúde mental na Enfermagem

Confira, a seguir, algumas recomendações da American Medical Association para manter um bom desempenho sem perder a cabeça:

1. Fique à vontade para sentir e expressar sentimentos

Profissionais da saúde conversando

A pressão intensa devida ao aumento potencial nas demandas de cuidados, risco de infecção e falta de equipamento, entre outros fatores de estresse são inerentes ao exercício da enfermagem. Experimentar o estresse e os sentimentos associados a ele não são de forma alguma um sinal de fraqueza ou um reflexo da capacidade de realizar o trabalho. Desabafar com amigos, familiares ou algum colega de trabalho que entenda a sua rotina; se necessário, não descarte buscar a ajuda de um psiquiatra ou psicólogo.

2. Empregue intencionalmente estratégias de enfrentamento

Enfermeiras meditando no momento de folga

Coloque em prática estratégias que funcionaram para você em épocas de estresse. Isso pode incluir descansar o suficiente e encontrar tempo de folga durante o trabalho ou entre os turnos, fazer refeições sadias e em um horário definido, praticar atividades físicas e manter contato (com distanciamento social apropriado) com a família e amigos.

3. Faça “auto-check-ins” regulares

Enfermeira pensando

Monitore-se quanto aos sintomas de depressão ou transtorno de estresse, como tristeza prolongada, dificuldade para dormir, memórias intrusivas e sentimentos de desesperança. Fale com um colega ou supervisor de confiança. Esteja aberto para procurar ajuda profissional se os sintomas persistirem ou piorarem com o tempo.

4. Dê uma pausa nas notícias e redes sociais

Enfermeiro sentado no chão e mexendo no celular

Crie o hábito regular de se afastar do computador e do smartphone de vez em quando. Ao retornar online, concentre-se nas informações de fontes confiáveis, não apenas nas fontes de seu feed de mídia social. Você não precisa absorver tudo o que é produzido por um ciclo de notícias 24 horas nos sete dias da semana. Além disso, um estudo recente mostrou que as redes sociais podem agravar os sintomas depressivos.

5. Fortaleça-se e sempre lembre do valor que tem o seu trabalho

Enfermeiros de mãos dadas em sinal de união

Lembre-se de que, apesar dos desafios e frustrações atuais, cuidar dos mais necessitados em um momento de grande incerteza e riscos é uma vocação nobre. Certifique-se de reservar um tempo para reconhecer não só os seus esforços e sacrifícios, mas também os dos colegas de trabalho, criando uma corrente do bem. 

Leia também: “Suicídio na área da saúde: sinais de alerta e prevenção”

                  “Burnout: uma síndrome muito frequente entre médicos”

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