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George Washington Carver: de escravo a cientista
  • Artigo
  • 20/11/2020
  • George Washington Carver, cientista, negro

A desigualdade racial, o racismo e seus efeitos têm sido temas de grandes debates pela sociedade. Infelizmente, ainda nos dia atuais, os negros continuam enfrentando grandes barreiras para inserção no mercado de trabalho, no acesso ao ambiente acadêmico nas mais diversas áreas de conhecimento. Além disso, a busca pelo reconhecimento de pessoas negras na ciência também faz parte dessa luta ao longo dos anos. 

Embora, muitas contribuições de pesquisadores negros tenham sido importantes para ciência, os seus nomes muitas vezes são silenciados. Neste artigo, você vai conhecer a vida, carreira e as contribuições pioneiras do cientista, botânico e professor afro-americano George Washington Carver. Ele que rompeu com as desigualdades sociais e o preconceito da sua época, período de grande polarização racial, e marcou o seu nome na história da ciência mundial. 

“[E] em vez de ficarmos cada vez mais taciturnos e desanimados com as oportunidades reais ou imaginárias que estão fechadas para nós, regozijemo-nos com os muitos campos inexplorados nos quais há fama e fortuna ilimitadas para o explorador de sucesso e nos quais não há linha de cor ; simplesmente sobrevivência do mais apto. ”

— George Washington Carver

 

Família

Nascido no período da Guerra Civil Americana, George Carver teve a sua história marcada pela luta contra o preconceito, desigualdade social e a oportunidade para acesso à educação. Como a maioria dos filhos de escravo, o ano e a data exatos de nascimento são desconhecidos, mas provavelmente ele nasceu em janeiro de 1864, em Diamond, Missouri, nos  Estados Unidos. Ele foi um dos filhos do casal de escravo Mary e Giles, de propriedade de Moses Carver.

Ainda bebê, após uma semana de seu nascimento, ele com sua irmã e sua mãe foram sequestrados e levados para Arkansas. Os três foram vendidos posteriormente em Kentucky e apenas o bebê Carver retornou para Missouri, após ser localizado por um agente de Moses Carver. 

Educação

Em 1865, ocorreu a abolição da escravidão nos Estados Unidos e George deixa de ser escravo. Porém, Moses e, sua esposa, Susan Carver o manteve em sua casa, onde permaneceu até os 10 ou 12 anos de idade. Ela o ensinou a ler e escrever, uma vez que nenhuma escola local aceitava alunos negros na ápoca. 

George conseguiu se formar no ensino médio, com quase 20 anos, na Minneapolis High School em Minneapolis, Kansas. A sua primeira rejeição por causa da sua cor foi no Highland College em Highland, Kansas. Ele foi aceito no primeiro momento na faculdade, porém teve a sua admissão negada assim que os administradores da instituição descobriram que o aluno era negro.

Apesar das barreiras sociais impostas na época, o jovem continuava a sua jornada para conquistar o seu espaço. Em 1890, ele começou a estudar arte e música no Simpson College em Iowa, onde estudou piano e desenvolveu suas habilidades de pintura. Posteriormente, se inscreveu no programa de botânica do do Iowa State Agricultural College, por sua aptidão nos desenhos naturais.

No ano seguinte, começou seus estudos botânicos como o primeiro aluno negro no estado de Iowa, pela Iowa State University. Em 1894, concluiu o seu bacharelado em Ciências Agrícolas e, em seguida, um mestrado em ciências em 1896.  Depois de se formar no estado de Iowa, Carver iniciou a sua carreira como professor e pesquisador. Booker T. Washington, o fundador do Black Tuskegee Institute, contratou Carver para dirigir o departamento de agricultura da escola em 1896.

Contribuições 

Carver desenvolveu mais de 300 produtos usando o amendoim (leite, plásticos, tintas, corantes, cosméticos, óleos medicinais, sabão, tinta, manchas de madeira), 118 de batata doce (melaço, cola de selo postal, farinha, vinagre e borracha sintética) e até um tipo de gasolina

Durante o período que comandou o Departamento de Agricultura do Instituto Tuskegee, inseriu pesquisas inovadoras sobre biologia vegetal. Foram diversas técnicas pioneiras  que tornaram a agricultura mais lucrativa e menos dependente do algodão. 

• Em 1916, Carver se tornou consultor em questões agrícolas do presidente Theodore Roosevelt e era um dos poucos membros americanos da Sociedade Real Britânica de Artes. Não patenteou e nem lucrou com a maioria de suas criações, mas doou livremente suas descobertas para a humanidade.

Curiosidades 

Carver foi o primeiro afro-americano a ter um monumento nacional dedicado a ele. Em 1916, ele foi nomeado membro da British Royal Society of Arts - uma rara honra para um americano. Ele se especializou-se em patologia de plantas e micologia, alcançando reconhecimento como botânico e sendo o primeiro professor negro a ensinar no Iowa College.

Conquistou ainda reconhecimento no exterior por sua experiência científica além da comunidade negra. Suas qualidades o tornou querido por muitos brancos, que quase ficavam encantados com sua conduta humilde e seu trabalho tranquilo na segregação que existia em Tuskegee.

Morte

George Washington Carver morreu em 5 de janeiro de 1943, aos 78 anos, após cair das escadas de sua casa. Ele foi enterrado ao lado de Booker T. Washington nos terrenos de Tuskegee. O epitáfio de Carver - frase escrita sobre túmulo - consta a descrição: "Ele poderia ter acrescentado fortuna à fama, mas não se importando com nenhum dos dois, ele encontrou felicidade e honra em ser útil para o mundo."

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