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Conheça as brasileiras que decodificaram o coronavírus em 48 horas
  • Artigo
  • Ciências da Saúde, Dotlib
  • 13/03/2020
  • Coronavírus, Pesquisadoras, sequenciamento genético

Em apenas 48 horas após a confirmação pelo Ministério da Saúde do primeiro caso de coronavírus em território brasileiro, cientistas do Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo (IMT-SP) e do Instituto Adolfo Lutz (IAL), em parceria com pesquisadores da Universidade de Oxford, na Inglaterra, conseguiram realizar o sequenciamento genético do vírus SARS-CoV-2, causador da doença respiratória Covid-19.

Com o uso da tecnologia chamada MinION, utilizada anteriormente para monitorar o vírus da Zika e da dengue na América, o grupo de cientistas conseguiu reduzir em menos de ⅓ do tempo estimado para desenvolver um sequenciamento de um vírus. A decodificação do vírus SARS-CoV-2 foi realizado em tempo recorde (2 dias), uma vez que a média é de 15 dias para que esse estudo seja concluído.

As descobertas foram difundidas pelos pesquisadores no site Virological.org, fórum onde virologistas, epidemiologistas e especialistas em saúde pública compartilham informações e discutem evolução e epidemiologia do coronavírus e outros.

Neste post, vamos conhecer mais sobre o trabalho das pesquisadoras Jaqueline Goes de Jesus e Ester Cerdeira Sabino, que lideraram a equipe para realização desse sequenciamento e fizeram com que o mundo voltasse seus olhos para a ciência brasileira. Elas que também desenvolvem pesquisas em busca da cura para Zika e dengue.

Jaqueline Goes de Jesus

Formada em biomedicina pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, a pesquisadora Jaqueline Goes de Jesus deu início aos seus trabalhos na área da ciência - durante sua primeira experiência  na Graduação - com pesquisas sobre o vírus do HIV.

Após seu primeiro contato, ela participou de estudos de arboviroses emergentes e faz parte de iniciativas como o projeto ZIBRA (Zika in Brazil Real Time Analisys) que tem como objetivo o sequenciamento do genoma do Zika Vírus no Brasil.

O projeto abriu portas para que Jaqueline realizasse um estágio de doutoramento sanduíche, na Universidade de Birmingham, Inglaterra. O estágio possibilitou o desenvolvimento dos protocolos de sequenciamento de genomas completos, através da tecnologia de nanoporos do Zika Vírus e HIV. Além disso, tornou possível descobertas a nível de sequenciamento direto do RNA. 

Esse fato simplificou e tornou mais rápido o sequenciamento genético do novo coronavírus, realizado pelo Instituto de Medicina Tropical de São Paulo - Universidade de São Paulo (IMT-USP) e do CADDE - Centro Conjunto Brasil-Reino Unido para Descoberta, Diagnóstico, Genômica e Epidemiologia de Arbovírus (Brazil-UK Centre for Arbovirus Discovery, Diagnosis, Genomics and Epidemiology).

Ester Cerdeira Sabino

Atualmente, Ester Sabino é diretora do Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo (IMT-SP) e coordenadora, junto a Nuno Faria, da Universidade de Oxford, do CADDE - Centro Conjunto Brasil Reino Unido para Descoberta, Diagnóstico, Genômica e Epidemiogia do Arbovírus (Brazil-UK Centre for Arbovirus Discovery, Diagnosis, Genomics and Epidemiology). A pesquisadora passou por diversas áreas de conhecimento ao longo de seus 30 anos de carreira.

Assim como Jaqueline, ela iniciou sua jornada científica com pesquisas acerca do HIV, como bolsista nos Estados Unidos. Seu trabalho abriu portas para que atuasse com doenças transmissíveis através do sangue, em especial a doença de Chagas.

Em 2016, a pesquisadora trouxe para o Brasil uma técnica de sequenciamento no momento que acontecia uma epidemia do vírus Zika no país. Essa metodologia possibilitou que as primeiras amostras, enviadas para o Instituto Adolfo Lutz, pudessem ser sequenciadas em dois dias.

O grupo do Instituto Adolfo Lutz (IAL), formado por Jaqueline e Ester, é composto por cientistas das áreas de biomedicina, engenharias e farmácia. Dentre os participantes do sequenciamento do vírus coronavírus estão as biomédicas da Universidade de São Paulo Ingra Morales, Flávia Sales e a pela farmacêutica Erika Manuli.

Próximos passos

O próximo passo da equipe será ajudar no sequenciamento de novas amostras de coronavírus que surgirem para retomar as pesquisas acerca da dengue. No entanto, o Instituto Adolfo Lutz continuará dando prosseguimento aos estudos da Covid-19.

Os dados obtidos no sequenciamento serão primordiais para o desenvolvimento de vacinas e medicamentos para combater a doença, além de permitir compreender melhor peculiaridades do vírus, sua origem e mutações.

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