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6 conclusões do Índice Global de Inovação 2020
  • Artigo
  • Ciências da Saúde, COVID-19
  • 16/09/2020
  • América Latina, inovação, Índice Global de Inovação

Anualmente, o Índice Global de Inovação (em inglês, Global Innovation Index) disponibiliza dados detalhados sobre o desempenho em inovação de 131 países. O relatório analisa 80 indicadores que exploram uma ampla visão de inovação em diversas áreas como educação, infraestrutura, política e sofisticação de negócios.

O estudo, conduzido pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual em parceria com a Cornell SC Johnson College of Business, atua como uma ferramenta de benchmarking que ajuda os governantes, líderes empresariais e o público interessado a avaliarem o progresso de inovação em sua região.

Em 2020, em sua 13ª edição, o tema abordado foi “Quem financiará a inovação? O relatório buscou analisar os impactos econômicos causados pela pandemia de COVID-19 que poderão afetar as startups, o capital de risco (Venture Capital), as pesquisas e outras fontes tradicionais de financiamento para inovação. A seguir, veja as 6 principais descobertas  apresentadas no Índice Global de Inovação 2020. 

1 - O impacto da pandemia de COVID-19 na inovação e as estratégias de reação dos líderes 

De acordo o estudo, a crise desencadeada pelo novo coronavírus causou uma paralisação na economia global sem precedentes. Ainda atingiu o cenário de inovação em um momento em que ela estava florescendo. Em 2018, os gastos com pesquisa e desenvolvimento (P&D) cresceram 5,2%, o capital de risco e de propriedade intelectual alcançaram o nível mais alto de todos os tempos.

Ainda de acordo com o relatório, os governantes das maiores economias do mundo estão preparando pacotes de alívio de emergência para amortecer o impacto do bloqueio e enfrentar a recessão iminente como, por exemplo, apoiar as empresas por meio de empréstimos.

Além disso, identificou que, até o momento, inovação e P&D não entraram como prioridades nos pacotes de estímulos atuais. Porém, ressaltou que há uma exceção, a saúde. Na corrida para encontrar uma vacina contra o novo coronavírus, os países estão realizando grandes investimentos.

O trabalho abordou também dois fatores importantes sobre os impactos da pandemia na ciência: no lado positivo, apresentou o nível inesperado de colaboração na ciência e redução da burocracia para cientistas; por outro lado, considerado alarmante, a paralisação de grandes projetos de P&D e a redução dos gastos com P&D em alguns campos. 

No entanto, concluíram que a pandemia não mudou o fato de que o potencial para inovação e tecnologias revolucionárias continua sendo grande. Assim, seria imprudente abandonar os investimentos nesta área para aqueles que buscam garantir a competitividade no futuro.  A tendência é que os produtos farmacêuticos e a biotecnologia experimentem um crescimento impulsionado pelo foco renovado em P&D em saúde. 

2 - Financiamento da inovação está em declínio diante da pandemia

O relatório aponta que os negócios que envolvem capital de risco estão em declínio na América do Norte, Ásia e Europa. Há também poucas ofertas públicas iniciais (IPOs, do inglês Initial Public Offering) um tipo de oferta pública em que as ações de uma empresa são vendidas ao público em geral numa bolsa de valores pela primeira vez à vista. Por isso as startups que sobreviverem podem crescer menos atraente e lucrativas para os investidores.  

O capital de risco levará mais tempo para ser recuperado do que os gastos com Pesquisa e Desenvolvimento. Porém, ainda há esperanças de que a inovação não registre uma queda significativa quanto anunciam as previsões. 

3 - O panorama global da inovação está mudando

A China, o Vietnã, a Índia e as Filipinas foram os países com o progresso mais significativo em sua classificação no IGI referente à inovação e, atualmente, estão inseridos no grupo das 50 principais economias.

Os países com as melhores classificações são praticamente do grupo de alta renda, com um total de 49 economias. Na liderança aparece a Suíça (1), Suécia (2), seguida dos Estados Unidos (3), Reino Unido (4) e Países Baixo (5). A China ocupa a 14ª posição — pela segunda vez consecutiva — com a pontuação de 53.28 e permanece como a única economia de renda média entre as 30 principais do IGI. 

Na classificação das três maiores economias por região, na América Latina e Caribe, o Chile aparece em primeiro lugar, seguido do México e Costa Rica. 

4 – Países em desenvolvimento alcançaram excelente desempenho quanto a inovação

Em primeiro lugar, o IGI 2020 identificou as economias que detêm consistentemente os melhores lugares no plano mundial em determinadas áreas de inovação do índice, como capital de risco, empreendedorismo, P&D e produção de alta tecnologia. Hong Kong e EUA lideram esse ranking; Israel, Luxemburgo e China empatam em 3° lugar; Chipre ocupa o 4° lugar; e Singapura, Dinamarca, Japão e Suíça empatam em 5° lugar.

Em segundo lugar, o relatório avaliou o equilíbrio do sistema de inovação nas economias analisadas. Doze países apresentaram um desempenho superior em todos os pilares, o que é entendido como algo raro.

No entanto, índice revelou que países em desenvolvimento tiveram um bom desempenho em inovação em determinada área, além das economias de alto rendimento. Assim, mostrou que algumas das primeiras colocações em determinados indicadores de inovação não são ocupadas por economias de alta renda.

A Malásia é a melhor em exportações líquidas de alta tecnologia no plano global; a Tailândia é a primeira em P&D empresarial no plano global; e na América Latina, o México é o maior exportador de bens criativos do mundo.

5 – Alguns países têm um potencial de inovação significativo, porém as divisões regionais continuam

As divisões regionais ainda persistem diante do desempenho nacional em inovação: América do Norte e Europa lideram, seguidas pelo Sudeste Asiático, Ásia Oriental e Oceania e, com maior distância, pelo Norte da África e Ásia Ocidental, América Latina e Caribe, Ásia Central e Meridional, bem como África Subsaariana, respectivamente.

A América Latina e o Caribe continuam a ser uma região com desequilíbrios significativos, sendo caracterizada pelos baixos investimentos em P&D e inovação, por seu uso ainda inicial de sistemas de Propriedade Intelectual e por uma desconexão entre os setores público e privado na priorização de P&D e inovação. Por isso, com baixos insumos de inovação, a região tem trabalhado para alcançar bons resultados.

Diante de todos esses entraves, apenas o Chile, Uruguai e Brasil produzem altos níveis de artigos científicos e técnicos, e somente o Brasil ocupa uma posição elevada em matéria de patentes por origem. 

Para acessar os pontos fortes e fracos da América Latina e Caribe, clique aqui

6 - A inovação está concentrada no nível de ciência e tecnologia clusters

Os 100 melhores clusters estão localizados em 26 economias, 6 das quais (Brasil, China, Índia, Irã, Turquia e Federação da Rússia) são classificadas como economias de renda média. Os EUA continuam com o maior número de clusters (25), seguidos pela China (17), Alemanha (10) e Japão (5). Em 2020, Tóquio-Yokohama é novamente o cluster com melhor desempenho, seguido por Shenzhen-Hong Kong-Guangzhou, Seoul, Pequim e San José-San Francisco.

O IGI 2020, pela primeira vez, apresenta os 100 melhores clusters classificados por sua intensidade de ciência e tecnologia (C&T), ou seja, a soma de suas patentes e publicações científicas dividida pela população. Cambridge e Oxford, no Reino Unido, surgem como sendo os clusters mais intensivos em C&T. Estes dois clusters são seguidos por Eindhoven (Países Baixos) e San José-San Francisco (EUA).

Ficou interessado em explorar mais o IGI 2020? Clique aqui (em inglês) e tenha acesso ao conteúdo na íntegra. 

 

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